A ocupação de espaços simbólicos
O sociólogo francês Pierre Bourdieu era conhecido, entre outros motivos, por discutir o conceito de “poder simbólico”, especialmente quando fazia crítica da mídia.
Em política, o “poder simbólico” é um fator decisivo para definir quem dá o tom do debate e quem só dança conforme a música. Atualmente, no Brasil, a oposição ao Governo Lula dá o tom, com os partidos Democratas e PSDB se aproveitando do momento oportuno para impor a situação (leia-se PT) um veto à recriação da CPMF ou de novos impostos para compensar a perda de arrecadação (fala-se em R$ 40 bilhões). Ou seja, diferentemente do que acontecia até há pouco tempo, são os críticos do governo que ocupam a maior parte dos espaços simbólicos de discussão de idéias e opiniões (especialmente os meios de comunicação).
O Senado é o campo no qual se travam as batalhas de discursos e posturas. O governo tenta contornar o problema político (a derrota na votação) e orçamentário (o corte inevitável pós-CPMF). A DRU (Desvinculação das Receitas da União) será votada em segundo turno no Senado e a oposição já sinalizou que irá aprová-la definitivamente. Entretanto, quer obrigar o governo a não aumentar a carga tributária. Segundo os senadores democratas e tucanos, com a DRU e necessários cortes de gastos excessivos com a máquina pública federal, a administração conseguirá fechar as contas.
O governo não tem outra saída a não ser acatar a proposta. Se forçar a barra e criar um novo imposto, ficará com a imagem seriamente prejudicada. As palavras “imposto”, “taxa” e “tributo” não são mais toleradas. Ou se criam fontes alternativas de arrecadação ou se cria um ônus político pesado para as eleições de 2008, ainda que estas serão apenas em âmbito municipal.





