Archive for Janeiro 2008
“Super Tuesday”
Com a desistência do ex-senador pela Carolina do Norte John Edwards da disputa pela candidatura presidencial democrata, define-se o confronto entre os senadores postulantes, Barack Obama (Illinois) e Hillary Clinton (New York).


Enquanto isso, nas hostes republicanas, outro senador, John McCain, abre vantagem, mas também enfrenta a polarização com Mitt Romney (ex-governador de Massachussets). Entretanto, com a vitória na Flórida, McCain se credencia para a chamada “Super Terça” (a “Super Tuesday”, que acontece no dia 5 de fevereiro e terá a votação de 20 estados).
A Flórida foi uma prévia, por ser o quarto maior colégio eleitoral dos EUA. Foi o fim da primeira fase da corrida presidencial, já que a “Super Terça” é um divisor de águas. Quem venceu eleições primárias nos estados anteriores, como Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul, consegue obter mais visibilidade, mídia e, especialmente, recursos financeiros.
Do lado democrata, como não ocorreram prévias oficiais na Flórida, dada a antecipação indevida da primária, Hillary Clinton obteve uma vitória tranqüila, mesmo sem campanhas de quaisquer candidatos.
As perspectivas apontam para que, após a “Super Tuesday”, John McCain se consolide como candidato republicano. Porém, entre os democratas, tanto Barack Obama quanto Hillary Clinton possuem chances reais de serem indicados. Hillary mantém o favoritismo, mas o fator surpresa pode beneficiar Obama.
Ilustrações: à esquerda, símbolo do Partido Republicano (elefante); à direita, do Partido Democrata (burro)
Checagem de informações
A agência de notícia francesa Agence France-Presse (AFP) proibiu seus repórteres de utilizar a Wikipedia e o Facebook como fontes para pesquisas.
Pergunto: qual seria o problema desses sites?
Respondo: déficit de confiabilidade.
Não se pode acreditar cegamente em nenhuma fonte de informação. O trabalho jornalístico pressupõe consultas a diversas fontes. A idéia é realizar uma checagem para que se obtenha as informações corretas.
Entretanto, em alguns casos, as fontes de informação não são consideradas confiáveis o suficiente. Analisando a Wikipedia, chega-se a conclusão de que é difícil utilizá-la para pesquisas. Seus verbetes são escritos por qualquer pessoa, desde que cadastradas no site. Existe um controle para que insultos, agressões e afirmações duvidosas não apareçam. Para o público em geral, o site pode servir como consulta para a obtenção de informações genéricas, sem um embasamento que lhe dê total crédito.
Mas pela sua característica “customizável”, a Wikipedia perde em relação a fontes com “selos de qualidade”, como atlas, livros didáticos ou enciclopédias impressas, a exemplo da Britannica.
A decisão da AFP mostra que a Internet ainda precisa conquistar a credibilidade possuída por outros meios. Sem um rígido e reconhecido sistema de controle, dificilmente isso irá acontecer. Como um dos princípios da rede mundial de computadores é a “democratização da informação” (e do acesso a ela), não é possível visualizar uma perspectiva, nem mesmo em longo prazo, para que a visão das empresas (especialmente as jornalísticas) se altere.
Ilustração: logotipo da Wikipedia
Boletim Informativo nº 2
Chega às 9h desta sexta-feira a segunda edição do Boletim Informativo deste site.
Aos que ainda não se cadastraram, é só clicar na aba “Boletim” acima ou então aqui, no link direto para o cadastro.
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O Guardião dos Fatos
O jornal inglês The Guardian, sediado em Londres, é um dos melhores diários do mundo. Não apenas pela qualidade excepcional de sua diagramação, mas também pelo conteúdo e pela forma como aborda os fatos desde a primeira página.
É possível ter uma amostra no site da publicação (www.guardian.co.uk). A versão online é chamada de “Guardian Unlimited”. Outra opção é ver a reprodução da capa impressa no Newseum, um acervo digital com primeiras páginas de jornais de todos os continentes. Uma boa pedida para verificar o nível da produção jornalística em diferentes partes do globo e traçar uma comparação com o que é feito no Brasil.
O Guardian pode ser utilizado como estudo de caso de sucesso. Consegue unir, tanto no jornal quanto no site, o tradicional e o contemporâneo, no visual e no conteúdo, sem deixar de manter uma identidade própria. É editado tanto em Londres quanto em Manchester, sua cidade-natal. Fundado em 1821 como “The Manchester Guardian” por John Edward Taylor, tornou-se apenas “The Guardian” em 1959. Em 1999, inaugurou o site “Guardian Unlimited” e desde 2005, abandonou o tamanho standard (padrão, 75 cm x 60 cm) e passou a ser editado no formato berlinense (47 cm × 31,5 cm), sendo totalmente colorido.
Na foto: capa da edição de 24 de janeiro de 2008 do The Guardian
O complexo administrativo brasileiro

Assistindo ao programa de debates “Entre Aspas”, do canal Globo News, vi um debate sobre mecanismos de fiscalização da gestão pública no Brasil. Infelizmente, o programa dura apenas meia hora. Para discutir tal tema, precisaria de pelo menos duas horas, tal é a complexidade do assunto.
Falando especificamente do Governo Federal, temos um verdadeiro gigante administrativo. Em tese, para um país de 183 milhões de habitantes, é de se esperar que a máquina pública seja realmente grande. Mas, sob qualquer análise de eficiência, dado o alto número de funcionários, chega-se à conclusão de que mesmo com muitas pessoas envolvidas, a qualidade dos serviços, em geral, deixa a desejar.
Analisando a estrutura da administração federal, é possível se impressionar logo de início com o grande número de divisões. O SIORG – Sistema de Informações Organizacionais do Governo Federal cataloga e hierarquiza os dados referentes a todas as instâncias governamentais. Só de ministérios, são 23. Secretarias, mais 8. Conselhos, outros 10. Demais órgãos, como Casa Civil, Assessoria Especial da Presidência da República ou Núcleo de Assuntos Estratégicos, completam a relação (no total, entre os ministérios e outros órgãos que possuem “status” de ministério, são 38).
Devido a dimensão desse sistema, como é possível ter uma forma de fiscalização eficiente por parte da sociedade?
Só o Ministério da Justiça possui 21 subdivisões, como o Departamento de Polícia Federal, a Secretaria de Assuntos Legislativos e o Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (referente às relações de consumo e proteção ao consumidor).
Organizações Não-Governamentais (ONGs), como a Transparência Brasil, se propõem a mostrar estudos que mostram o quanto custa manter parlamentares (deputados e senadores), corrupção eleitoral (compra de votos), entre outros temas. Isso já representa um avanço expressivo no sentido de conscientizar a população sobre a importância de se cobrar dos representantes políticos o devido retorno pelo voto dado nas eleições.
Mas ainda há muito a ser feito. A base da questão é a iniciativa e o interesse das pessoas em procurar essas informações. O funcionamento de uma administração pública é algo que deve ser de conhecimento comum a todos os que contribuem, por meio do pagamento de tributos, para que esta se mantenha e atenda às demandas da sociedade.
Na foto: Congresso Nacional, em Brasília, formado por Câmara dos Deputados e Senado





