Archive for Janeiro 7th, 2008
Uma novidade
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A tradição “pacoteira”
Fazia tempo que não se falava em “pacote” no Brasil. Dada a estabilidade econômica conquistada desde a implementação do Plano Real, em 1994, pouco se falou em grandes mudanças na economia. Historicamente, o governo federal adota um pacote em situações-limite, como em 1986, com o Plano Cruzado, ou em 1990, com o Plano Collor.
Mas estes foram amplos procedimentos de reformulação para uma economia que vivia em crise crônica, com sucessivas trocas de nome da moeda e cortes de zeros. Atualmente, o termo “pacote” está sendo empregado para definir as novas medidas referentes a uma compensação de perdas de arrecadação com o fim da CPMF. Algo muito mais brando do que as mudanças drásticas das décadas de 1980 e 1990.
Porém, o uso de um termo conhecido por muitos simplifica a questão, tornando-a mais palatável ao público. Da mesma forma, emprega-se de maneira corriqueira o termo “reforma”. Seja esta agrária, fiscal, trabalhista ou tributária, quando se fala em “reforma”, está se falando em uma melhora (em tese). Porém, no caso de uma reforma tributária, por exemplo, sob quais termos ela se daria? Racionalizar a arrecadação e a distribuição de recursos, tornando-as mais simples, rápidas e atendendo a um preceito básico de uma república federativa, na qual os estados não precisam se submeter ao governo central? Seria interessante. Mas isso deveria ter sido feito já há muito tempo. Se o Poder Executivo resolveu priorizar tal necessidade só agora, o País mantém a sua tradição “pacoteira”: é movido a medidas de choque.





