Blog do Jonas Gonçalves

Jornalista MTb 48.872/SP

Crises iminentes

com um comentário

EUA e Brasil vivem momentos similares na forma (crises), mas muito diferentes no conteúdo. O primeiro vive um período recessivo, de incertezas quanto aos rumos que a economia tomará a partir de 2009, quando um novo presidente assumirá o país. Ao mesmo tempo, há uma ausência de perspectivas para o setor imobiliário estadunidense, já que a aquisição de imóveis, uma das operações mais realizadas nos últimos anos, está praticamente estagnada. Sem uma expressiva parte do giro de sua economia, os EUA vivenciam uma perigosa letargia. Ou seja, evidencia-se uma dependência crônica da economia americana em relação à concessão de crédito e compra de bens. Se as pessoas não estão buscando dinheiro emprestado e nem comprando, empresas e bancos entram no “vermelho”. Foi o que aconteceu com o Citigroup, que anunciou quase US$ 10 bilhões em prejuízos no último trimestre de 2007.

Enquanto isso, o Brasil sofre com a falta de preparo e infra-estrutura para coibir o surto de febre amarela silvestre, a crise no sistema de transporte aéreo e uma ameaça de “apagão” no setor de energia. No caso da doença, a região Centro-Oeste é a mais afetada, porém nas outras vão aparecendo casos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já disse que não há risco de epidemia. Porém, a procura pela vacina se intensificou de maneira abrupta, mostrando que para atender a uma demanda emergencial, não existe um plano específico elaborado com antecedência. E o mais grave é apenas uma instituição (Fiocruz) ter condições de preparar a vacina. Se pelo menos mais uma tivesse tal capacidade, o atendimento à população seria mais rápido e eficiente.

A crise na aviação é algo que já se prolonga há quase dois anos, sem uma solução definitiva. Várias medidas foram anunciadas para sanar problemas oriundos dos próprios aeroportos e do sistema de controle do tráfego aéreo. Enquanto isso, resta aos passageiros torcer para que os vôos não sejam cancelados.

A possibilidade de “apagão” é real devido à falta de chuvas em locais onde estão instaladas usinas hidrelétricas. Se o nível de precipitação não aumentar substancialmente em curto prazo, as usinas termoelétricas (movidas a gás natural ou carvão) serão acionadas. Se isso for necessário, já se fala em racionamento de gás, já que não haverá quantidade suficiente para atender as usinas e a demanda para abastecimento de indústrias e veículos.

Como se vê, faltam elementos fundamentais como organização e planejamento. Diferentemente dos EUA, que já se posicionam frente à iminência de uma crise. A simples ameaça de recessão já os coloca em alerta e medidas são tomadas com rapidez. É um país que até mesmo chegou a experimentar a miséria após a quebra da Bolsa de New York, em 1929. Entretanto, conseguiu se reerguer com um trabalho aprofundado de recuperação econômica. Depois da amarga experiência, não apenas adquiriu a resistência a crises, como também sabe antecipar quando estas virão.

Crises são inevitáveis. Só quem sabe prevê-las consegue superá-las. É uma lição que o Brasil já deveria ter aprendido.

Escrito por Jonas Gonçalves

16/01/2008 às 17:23

Publicado em Conjuntura, Economia

Etiquetado com , , , ,

Uma resposta

Subscreva aos comentários comRSS.

  1. [...] Com o anúncio do presidente dos EUA, George W. Bush, de um “pacote” que pode gerar incentivos de 1% do PIB americano (US$ 130 bilhões), o primeiro tema (“pacotes”) veio à tona, ao lado da situação da economia americana. [...]


Deixe uma resposta