Na temporada de Fórmula 1 de 1989, o francês Alain Prost era companheiro de Ayrton Senna na McLaren. Duas vezes campeão do mundo, Prost enfrentou Senna em 1988 como um experiente arrogante, que se achava muito superior ao “novato”. Resultado: Senna conquistou o título pela primeira vez.
No ano seguinte, ele não quis repetir o erro e deixou, sabiamente, Senna ser considerado favorito (o que de fato era, assim como o próprio Prost e outros pilotos). Entretanto, Senna ensaiava o bicampeonato. Mas, quando estava próximo de “matar” a temporada a seu favor, começou a falhar. Inexplicavelmente, caiu de rendimento, com quebras no carro. Chegou-se a pensar que a Honda, fabricante dos motores da McLaren, forçava a decisão para a sua terra-natal, o Japão, no circuito de Suzuka, na última corrida do ano, a exemplo do que acontecera em 88.
Jamais foi comprovado o complô, mas a decisão ficou mesmo para o circuito japonês. Os dentes do “tubarão” Prost se mostraram afiados. Com vantagem na classificação, Prost precisava apenas chegar na frente do brasileiro, ou então que ele não completasse a prova. Isso quase aconteceu. Quando tentou passar o francês, Senna foi bloqueado e os dois saíram da pista na primeira curva da volta inicial. A rivalidade acirrada chegara ao ápice.
Senna ainda voltaria à pista e venceria, mas o resultado seria anulado pois ele voltou por uma via não permitida. Alain Prost se tornou tricampeão mundial.

A história acima serve para ilustrar o quanto um experiente, apesar da arrogância, pode aprender com os próprios erros e depois traçar uma estratégia que o leve de volta ao topo. No mundo da Tecnologia da Informação (TI), o “tubarão” se chama Microsoft, a empresa dominante nos últimos 20 anos. Mas o “novato” Google vem roubando a cena nos últimos tempos, com uma estratégia audaciosa e agressiva de aquisições, se tornando sinônimo não apenas de ferramenta de buscas na Internet, mas também de outras “manias” da Web como vídeos (YouTube), blogs (Blogger), sites de relacionamento (Orkut), entre outras extensões de seu império.
Percebendo a ascensão meteórica, a Microsoft tentou se contrapor. Com o Windows Live, quis criar uma série de ferramentas que concorressem com o Google, como o Live Search. Contudo, as tentativas não surtiram o efeito desejado. A cartada decisiva para reverter a situação foi dada nesta sexta-feira, com a oferta oferecida ao Yahoo! de US$ 44,6 bilhões. O principal concorrente do Google no segmento de buscas seria a chave para que a Microsoft mostrasse o seu poder no mercado. Colocando toda a sua capacidade de investimento, poderia se tornar uma séria ameaça ao Google.
Se o Yahoo! aceitar a proposta, a Microsoft só teria um problema: a falta de agilidade de grandes empresas para se adaptar a uma nova realidade. As duas envolvidas são gigantes corporativas que, para entrarem em um processo de fusão, se tornariam presas fáceis de um Google que jamais se confortou com a liderança conquistada. Sempre inovando, busca atingir novos níveis de interação com o público, intensificando suas ofensivas em outros campos, como o e-mail (Gmail).
Para comprovar se o tubarão ainda tem dentes afiados, aguardemos os próximos movimentos do bilionário mercado virtual.
Na foto: Alain Prost e Ayrton Senna se chocaram na primeira curva de Suzuka, em 1989; Prost acabou campeão
Na imagem: Microsoft quer o Yahoo!, visando a concorrência com o “todo-poderoso” Google





