Archive for Fevereiro 14th, 2008
Luis Nassif x Veja
Luis Nassif é um dos jornalistas mais renomados do Brasil, reconhecido como um especialista em economia.
Veja é a mais popular revista semanal de informação do País.
Os dois estão em guerra.
O motivo é uma série, intitulada “O Caso Veja“, de textos escritos por Nassif que desancam não apenas as práticas jornalísticas da revista, mas especialmente quatro de seus profissionais: Eurípedes Alcântara (diretor de redação), Mário Sabino (diretor adjunto), Lauro Jardim (titular da coluna “Radar” da revista) e Diogo Mainardi (colunista).
Em seu dossiê, Nassif fala sobre a agressividade que Veja emprega há vários anos. O jornalista relata supostas negociatas entre a direção da revista e alguns de seus colunistas com o banqueiro Daniel Dantas (Opportunity) e o publicitário Eduardo Fischer, visando reportagens favoráveis a empresas ou ofensivas a adversários.
As origens da série de textos podem ser atribuídas ao fato de que Nassif é um dos jornalistas que vem sendo atacados constantemente por Diogo Mainardi, que tanto em sua coluna na revista como em seu podcast no site de Veja, se posiciona como “anti-Lula”. Há algum tempo, vem criticando jornalistas que, em tese, estariam alinhados ao governo do presidente, casos de Caio Túlio Costa (executivo da Brasil Telecom), Mino Carta (diretor de redação da revista CartaCapital), Paulo Henrique Amorim (Record e iG) e do próprio Nassif (Agência Dinheiro Vivo). Dessa forma, percebe-se que a guerra é antiga e muito mais ampla. Do outro lado da trincheira, Mino até já processou Mainardi, enquanto Amorim dispara contra a “mídia golpista”, incluindo na relação, além de Veja, os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, a Rede Globo de Televisão, entre outros, que seriam “anti-Lula” e “anti-PT” e estão dispostos a tudo para derrubar o presidente e reconduzir um tucano ao comando do País. Amorim sempre cita José Serra (PSDB) em seu site, o Conversa Afiada, como “o presidente eleito”, uma ironia para a ambição política do governador de São Paulo, que há anos sonha em se tornar presidente.
Ou seja: basicamente, a guerra midiática poderia ser reduzida a um mero embate político-ideológico entre pró-tucanos e pró-petistas. Mas é muito mais do que isso. Envolve diversos interesses empresariais.
Como já escrevi anteriormente, quando jornalistas (ou veículos jornalísticos) se auto-intitulam “formadores de opinião”, o perigo é enorme. A isenção jornalística, impossível de ser atingida de forma absoluta, mas acessível àqueles que ao menos tentam buscá-la, simplesmente deixa de existir. As paixões políticas afloram e aí a revista (ou jornal, ou emissora de televisão etc.) persegue simpatizantes, não leitores (ou telespectadores, ou ouvintes etc.).
Os leitores devem representar consciências críticas, que sabem discernir e possuem opinião própria, apenas utilizando publicações jornalísticas como base de apoio para checagem de informações. Simpatizantes são aqueles que assinam embaixo e passam recibo sem pensar, mesmo se o veículo consultado comete atentados ao exercício do jornalismo.
Guerras como as travadas entre Nassif e Veja são comuns no jornalismo. Uns acusam outros de serem “defensores” de “Fulano”, outros acusam uns de serem “simpatizantes” de “Sicrano”. Nem todos querem holofotes públicos quando resolvem partir para o ataque por meio de textos, por exemplo. Entretanto, pelo menos entre os “coleguinhas” de profissão, acabam ganhando notoriedade.
Todos possuem suas convicções. O que diferencia é a forma de defendê-las. Uns são mais agressivos. Outros, mais sutis. Esse duelo político-ideológico é algo que extrapola a simples competição de mercado. Pode ir muito além e atingir, de maneira frontal, a ética jornalística.
Foto 1: o jornalista Luis Nassif
Foto 2: capa de uma edição da revista ‘Veja’, destacando reportagem com a ex-amante do senador Renan Calheiros, a jornalista Mônica Veloso





