Archive for Fevereiro 19th, 2008
Adiós, Fidel

Nesta terça-feira, Fidel Castro renunciou à presidência de Cuba. Líder da Revolução de 1959 ao lado de Ernesto “Che” Guevara, Castro se tornou senhor absoluto da ilha caribenha. Depois de 49 anos, tendo escapado de diversos atentados contra a sua vida, enfrentado o embargo estadunidense desde 1962, ter perdido o suporte da extinta União Soviética e, agora, encarando uma doença ainda pouco esclarecida, entrega o poder.
“A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo seio devem ser adotados acordos importantes para nossa Revolução, comunico que não aspirarei e nem aceitarei – repito – não aspirarei e nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-chefe. Não me despeço de vocês, desejo apenas combater como soldado das idéias”.
Fidel sai de cena, mas deixa marcas profundas na história mundial. Especialmente em Cuba, um país que é conhecido por sua medicina de excelência, suas belas praias, mas também pela miséria da maior parte de seu povo. Outro traço marcante do regime castrista é a restrição ferrenha à liberdade de expressão e de imprensa. Tanto que apenas um jornal é admitido: o periódico oficial “Granma”.
E foi nele que saiu publicada a carta de renúncia. Mantendo a linha “revolucionária” que o consagrou, para o bem e para o mal, Fidel divide opiniões. Para uns, é ídolo. Para outros, mais um ditador socialista, de esquerda, que censura e oprime. Não é fácil analisar uma figura histórica das dimensões que ele adquiriu. O “mito de Sierra Maestra” continua vivo, de forma diferente daquela romântica nos anos 1960, quando Fidel ainda era visto pelos mais conservadores como líder revolucionário e, em conseqüência, chefe de estado. A figura do “ditador” foi aparecer com mais força na década seguinte, mais exatamente a partir de 1976, quando Fidel passou a ser considerado “eterno” no poder, com sucessivas indicações ao posto de presidente pela Assembléia do Poder Popular, o Parlamento cubano. Sem a democracia, com voto popular, se manteve no poder pela força da revolução de 59, que derrubou o ditador Fulgencio Batista.
A outra imagem de Cuba derivada do poder de Fidel é o êxodo de milhares de cubanos, indo para os EUA em busca de oportunidades. A família do famoso ator de Hollywood Andy Garcia foi citada como exemplo em meio às centenas de reportagens sobre a renúncia de Castro.
“El comandante en jefe” já não estava mais no poder desde pouco antes de completar 80 anos, em 2006. Com uma doença no intestino, fez cirurgia e ainda se recupera. A expectativa é que o poder permaneça com o irmão Raúl Castro, que é apenas cinco anos mais novo (atualmente, está com 76). Dessa forma, ainda não se pode prever quando se dará uma mudança definitiva no regime cubano. Quanto à possibilidade de uma influência dos EUA neste processo de transição, é necessário esperar que se defina o próximo presidente. Se for John McCain, a política de endurecimento continuará. Talvez com Barack Obama haja uma nova forma de relação entre os países. A mesma certeza não se dá com Hillary Clinton, mesmo ela sendo democrata, já que possui uma proposta de política externa mais conservadora.
O certo é que a ilha de “Guantanamera”, do Buena Vista Social Club, dos atletas de destaque em diversas modalidades e de tantos outros traços políticos, esportivos, culturais e sociais que a tornaram conhecida mundialmente, jamais será a mesma.
Na foto: Fidel Castro, em período de recuperação, mostra um exemplar do Granma com a manchete “Absolvido pela História”, vestindo um de seus dois trajes marcantes, o abrigo da Adidas com as cores de Cuba; o outro é o traje militar que o consagrou





