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Archive for Fevereiro 21st, 2008

O impacto da “BrOi”

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A Oi (ex-Telemar) fez uma oferta para adquirir a Brasil Telecom. O preço? Nada menos do que R$ 4,8 bilhões. Entretanto, esse movimento pode causar profundas mudanças no mercado brasileiro de telefonia, tanto fixa quanto móvel (celular).

A megafusão concentraria o setor de forma irreversível: enquanto a Oi detém concessões (para telefonia fixa e móvel, além de Internet banda larga) nas regiões Norte (exceto Acre e Tocantins), Nordeste e a maior parte do Sudeste (Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), a Brasil Telecom tem permissão para operar no Acre e em Tocantins na Região Norte, além de estar presente em todos os estados das regiões Centro-Oeste e Sul. A única exceção a esse megaconglomerado seria a Telefônica, em São Paulo, na telefonia fixa e na Internet banda larga. Contudo, na telefonia móvel, a Oi já obteve concessão para operar, podendo assim concorrer com a Vivo (pertencente à Telefônica), a TIM e a Claro.

As regras da telefonia, regidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) devem mudar para permitir tal fusão. A criação de uma “BrOi” (apelido criado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim), entretanto, pode contar com a anuência do Governo Federal. Em tese, a idéia seria criar uma empresa nacional forte o suficiente para competir com a espanhola Telefônica e a mexicana Telmex, dona da Embratel.

Entretanto, há outros interesses que movem essa operação. Analistas dizem que o risco de um monopólio dessa magnitude está na possível queda na qualidade dos serviços prestados, já que não haverá competição na maioria dos estados. Em São Paulo, onde nenhuma das empresas ainda atua, poderá haver uma prática de preços diferenciada na telefonia móvel, especialmente nos primeiros meses após o lançamento das operações, que ainda não ocorreu.

Há ainda que se considerar a influência dos donos da Oi, os empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade. Eles teriam um suporte financeiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para comprar a Brasil Telecom. Telmex e TIM já disseram que não aceitariam que apenas a Oi tivesse tal financiamento. Existe também a participação do banqueiro Daniel Dantas (Opportunity), além dos fundos de pensão de grandes estatais, como o Petros (Petrobras) e o Funcef (Caixa Econômica Federal). Tal participação se daria em ações da nova companhia resultante da fusão.

Como se vê, a jogada é pesada e complexa. O poder de Dantas advém da época em que ele era gestor, através do Opportunity, dos recursos dos fundos de pensão utilizados na participação acionária na Brasil Telecom. Mas existem pendências judiciais entre os fundos e Dantas. Se essa briga for resolvida, há chance de acordo. Caso contrário, a “BrOi” se tornará uma longa novela.

Escrito por Jonas Gonçalves

21/02/2008 em 02:38

Publicado em Economia

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