Archive for Março 2008
Vermelha de vergonha

A China é o país que mais vem chamando a atenção do planeta nos últimos anos. Seu desenvolvimento econômico é espantoso. O PIB (Produto Interno Bruto) aumenta de forma vertiginosa, ano após ano, atingindo índices em torno dos 10% de crescimento.
Desde 1978, com o plano do então mandatário Deng Xiaoping de manter no país a convivência entre um sistema político de partido único (o PCC – Partido Comunista Chinês) e uma economia de mercado capitalista, a China não parou mais. Atualmente, já é a quarta maior economia do mundo. Em um país de 1,3 bilhão de habitantes (a maior população), espera-se que administrar seja uma missão impossível. O governo mostra que, pelo menos em parte, não é tão difícil, desde que haja comprometimento, seriedade e respaldo popular no planejamento e execução de medidas governamentais, especialmente obras de infra-estrutura modernizantes.
Mas, nem tudo são flores na nova China, que passou de um país fechado, atrasado e pobre dos tempos de Mao Tsé-Tung para uma superpotência globalizada. A desigualdade social ainda é gritante, especialmente se for feita uma comparação entre as regiões leste (com megalópoles como Beijing e Shangai) e oeste (a mais problemática, com zonas rurais onde imperam a pobreza e o atraso). Problemas ambientais também mostram a necessidade de mudanças urgentes, visando a preservação do planeta.
O que mais chama a atenção entre os pontos negativos, no entanto, é a censura e a opressão promovidas pelo governo comunista, extremamente autoritário. Uma das principais vítimas está na região ocidental chinesa: o Tibet.
Tratada como “província rebelde” (assim como Taiwan), o Tibet é controlado pela China desde 1950. O líder político no território (que exerce o cargo como exilado na Índia) é o chefe espiritual budista, denominado ”Dalai Lama” (“Dalai” é “Oceano” em mongol e “Lama” é o termo tibetano para ”Mestre”, sendo o Dalai Lama chamado de “Oceano de Sabedoria”). O atual (14º), Tenzin Gyatso, foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989. Diferentemente de Taiwan, que se mantém como país independente, o Tibet quer apenas a autonomia em relação ao governo central, a fim de que os monges budistas possam exercer livremente suas práticas religiosas e culturais (o governo chinês não permite manifestações de religião, classificando-as como “doenças da mente”).

A China conseguiu recuperar Hong Kong (ex-colônia britânica, em 1997) e Macau (ex-colônia de Portugal, em 1999). Invocando a “unidade nacional”, tenta mantê-la a todo custo direcionando atenções para Taiwan e Tibet. Mas se utiliza de truculência, autoritarismo e força militar para isso, o que vai contra todos os princípios democráticos consagrados pelos Direitos Humanos. Se há algo em que a China precisa evoluir, na mesma velocidade do desenvolvimento de sua economia, é na questão das diversas formas de liberdades, especialmente as de expressão e de imprensa. É vergonhoso e inadmissível um país que irá sediar neste ano em sua capital os Jogos Olímpicos, que possuem em seu ideário a defesa da paz e da fraternidade entre os povos, resolver suas pendências políticas com iniciativas violentas, a exemplo do que ocorreu no lançamento da edição deste ano, na Grécia, berço dos Jogos. Manifestações de grupos pró-Tibet e da organização não-governamental ”Repórteres Sem Fronteiras” foram duramente reprimidas.
Seria deprimente assistir a um boicote de alguns países importantes à Olímpiada devido a questões políticas, como aconteceu nos Jogos de 1980 (Moscou, na então União Soviética) e 1984 (Los Angeles, Estados Unidos), em decorrência da Guerra Fria. Que a cor da bandeira da China não se mantenha como símbolo da vergonha diante do resto do mundo.
Imagem 1: mapa mostra a área do Tibet, província que tenta a autonomia em relação ao governo da China
Imagem 2: bandeira da China
Volta ao normal
Tudo bem com o computador. “Voltaremos em instantes com a nossa programação normal”, como se diz na TV.
Sobre os podcasts
Devido aos motivos da paralisação relatados no post abaixo, o podcast de segunda não será gravado. A volta está prevista para quarta ou sexta-feira desta semana.
Paralisação
Nos últimos dias, não consegui publicar nenhum conteúdo novo e nem mesmo enviar o Boletim Informativo. Isso aconteceu devido a um problema com o meu computador, que está no conserto. Dessa forma, só pude retomar o acesso a Internet hoje, com a volta ao trabalho depois do feriado prolongado.
Nesta semana, além da edição normal, haverá uma edição extra do Boletim, assim como novos textos, retomando a rotina do site.
Agradeço desde já a compreensão dos leitores.
Nova enquete
Já está colocada ao lado a nova enquete deste site. Você é a favor ou contra a limitação do uso de Medidas Provisórias? Leia o texto do post anterior que aborda o tema e vote na pesquisa.
O levantamento deveria ter sido iniciado ontem, mas o tema exigiu uma pesquisa um pouco mais extensa do que o previsto inicialmente.





