Modelo de anti-herói

As histórias em quadrinhos de heróis podem ser divididas entre aquelas que mostram seres exemplares lutando por ideais de justiça e paz (ex.: Super-Homem) e outros que são movidos por sentimentos intrínsecos ao ser humano (ex.: Batman).
Longe de impor rótulos, a idéia é diferenciar o que move cada um deles. Mesmo entre heróis de uma mesma “categoria”, existem claras diferenças. Na época atual, o único fator que os une em uma mesma análise é a de que praticamente todos ganharam uma versão cinematográfica, com todos os recursos possíveis para o orçamento de cada produção.
Hollywood e as duas grandes editoras de HQ dos EUA, Marvel e DC Comics, descobriram o filão. A trilogia do “Homem-Aranha”, interpretado por Tobey Maguire, pode ser considerada o símbolo inicial desse novo momento. Na esteira do sucesso do aracnídeo, vieram Hulk, Batman e Super-Homem, entre os mais conhecidos.
Entretanto, até mesmo outros que não desfrutam de tanta popularidade, como o Motoqueiro Fantasma, ganharam versões. O processo continua e, no momento, tem no Homem de Ferro o seu ápice, com recordes de bilheteria.
Robert Downey Jr., conhecido principalmente por seu papel em “Chaplin” e por um passado turbulento com drogas, interpreta Tony Stark, o protagonista, que constrói uma armadura com tecnologia avançada para combater a proliferação de armas de destruição em massa. Armas estas que, ironicamente, são fabricadas em escala industrial por sua empresa, a Stark Industries.
Excêntrico, mulherengo, beberrão e farrista, Stark também é conhecido pela genialidade no campo da engenharia eletrônica e pela condução de seus negócios, que o transformaram em um dos homens mais ricos do mundo. A história do filme mostra as origens do Homem de Ferro, que não se trata de um personagem com ideais.
Essencialmente individualista, o Homem de Ferro quer evitar as conseqüências do próprio mal que criou. É uma pessoa em conflito, mas que por sua competência, se transforma em um ser acima da média, chamando a atenção da mídia e da sociedade. Stark não consegue criar um código de conduta para si mesmo, dada a sua instabilidade. Prefere ser sincero, ao revelar para quem quiser ver a sua identidade por trás da armadura cheia de apetrechos, que lhe permite voar a grandes distâncias e causar sérios danos a quem é alvo de seus disparos.
Destruir as armas que fabricou e desativar sua fábrica são medidas drásticas, conseqüência das péssimas experiências que vivencia na mão de terroristas. De um gênio milionário inconseqüente, passa a ser alguém capaz de grandes proezas, mesmo que não tenha um espírito nobre nem queira ser portador de virtudes.
Trata-se de um personagem complexo, modelo de anti-herói em uma sociedade competitiva, individualista e ultra-tecnológica. O longa-metragem consegue reunir todos esses elementos com efeitos muito bem elaborados. Vale o ingresso.
Confira abaixo o trailer:
FOTO: Robert Downey Jr. interpreta o Homem de Ferro, um dos personagens mais interessantes da Marvel Comics






O filme é muito bome Robert Downey Jr tem toda a pinta de anti-herói, a escolha dele para ser o protagonista foi acertadissima. Os efeitos do filme impressionam e o carisma do personagem também, só faltou força ao roteiro.
http://longametragem.wordpress.com
Abraços,
Bueno.
cb201137
12/05/2008 em 18:57
Olá, Bueno.
Talvez a falta de “força” do roteiro que você aponta se explique por este primeiro filme tratar das origens do personagem. Tenho certeza de que a continuação terá uma história até mais interessante do que esta primeira parte, como já aconteceu com algumas séries.
Abraços e seja sempre bem-vindo.
Jonas Gonçalves
12/05/2008 em 19:05