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Francis Albert Sinatra

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Há dez anos, ”A Voz” silenciou. Morria Frank Sinatra, ou Francis Albert Sinatra, o filho mais ilustre de Hoboken, New Jersey, nos EUA. Com características marcantes (como os olhos azuis e o dom simbolizado pela alcunha eterna “The Voice”), manteve com êxito sua longa carreira, tanto no cinema, como ator, quanto na música, como intérprete de grandes sucessos, a exemplo da homenagem à cidade que amava, “New York, New York”, além de “I’ve Got You Under My Skin”, “Strangers In The Night” e ”My Way”. Também cantou “Yesterday”, “Moon River” e até a brasileiríssima “Garota de Ipanema” ao lado de um de seus maiores ídolos, Tom Jobim.

Os dois, vale lembrar, gravaram em 1967 o disco “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, em um marcante dueto. Outra parceria foi feita em 1960 por meio de um especial de TV, com ninguém menos do que Elvis Presley. Sinatra já era mais do que consagrado, enquanto Elvis era o jovem sucesso da época. Os dois cantaram um sucesso do Rei do Rock, ”Love Me Tender”, cada qual a seu estilo.

Sinatra foi sinônimo de sucesso não somente por seu inegável talento como cantor, mas também por que criou uma figura marcante perante a sociedade, a imprensa e os fãs. O jornalista norte-americano Gay Talese escreveu, em 1965, um perfil sobre o cantor para a revista Esquire intitulado “Frank Sinatra está resfriado”. O detalhe é que, para isso, não precisou entrevistá-lo nem uma única vez. Conversou com praticamente todos que se relacionavam com ele. Produziu uma reportagem que depois se tornou um dos livros-referência da prática jornalística. Segue um dos trechos:

Frank Sinatra, segurando um copo de bourbon numa mão e um cigarro na outra, estava num canto escuro do balcão entre duas loiras atraentes, mas já um tanto passadas, que esperavam ouvir alguma palavra dele. Mas ele não dizia nada; passara boa parte da noite calado.

E o motivo para o silêncio era aparentemente prosaico, ainda mais em se tratando de um mito como Sinatra: um mero resfriado. Mas é só imaginar o quanto um resfriado pode prejudicar a voz para se dar conta do quanto Sinatra poderia estar triste.

A liberdade do “new journalism” e a confiança da Esquire no talento de Talese permitiram ao jornalista escrever como se estivesse narrando a história de um romance. Porém, tratava-se de um exercício jornalístico elementar: captar traços marcantes daquele que seria objeto do perfil.

Outro momento marcante protagonizado por Sinatra foi a sua apresentação para 140 mil pessoas no estádio do Maracanã, em 1980, um recorde de público superado somente 10 anos depois por Paul McCartney, que levou 184 mil ao mesmo estádio para um dos shows de sua turnê (número que persiste até hoje no Guinness Book). Mesmo não estando mais no “Livro dos Recordes”, o cantor americano, com direito a microfone dourado e cachê de US$ 850 mil, encantou a platéia aos 64 anos, acumulando já naquele momento 40 de carreira e inúmeros sucessos.

Sinatra cantou pela última vez em seu aniversário de 80 anos, em 1995. Morreria aos 82 anos, em 1998, pois só completaria 83 no final daquele ano. Os poucos detratores de seus méritos dizem que ele foi beneficiado por amizades com grandes mafiosos nos EUA, que o teriam financiado e permitido que ele chegasse ao estrelato. Nada foi comprovado até hoje. O que persiste são as estrelas na Calçada da Fama de Hollywood (duas, como cantor e também astro da TV americana), seus discos de sucesso, os incontáveis fãs e a voz… “The Voice”.


CRÉDITO DA FOTO: Herman Leonard

VÍDEO: Frank Sinatra cantando possivelmente o seu maior “hit”, a homenagem a Big Apple, “New York, New York”

Escrito por Jonas Gonçalves

15/05/2008 às 02:57

Publicado em Cultura

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