Archive for Maio 2008
Jornal de Acesso

Já está impresso o Jornal de Acesso, um dos projetos freelancers executados. Ele está disponível em PDF para download e leitura na seção “Projetos”.
O poder do imponderável
“O futebol é uma caixinha de surpresas.”
O velho e eficiente chavão deveria ser substituído por uma versão mais atualizada, após o histórico (para o futebol) dia 21 de maio de 2008:
“O futebol é o que o imponderável quiser que seja.”

Não há lógica que resista a qualquer um dos jogos que ocorreram nesta quarta-feira. Tanto Manchester United x Chelsea, a final da Liga dos Campeões da Europa, como o jogo de volta de quartas-de-final da Copa Libertadores da América entre Fluminense e São Paulo, são provas incontestáveis de que qualquer tentativa de colocar o futebol sob uma perspectiva analítica irá fracassar diante dos impiedosos “fatos inesperados”.
Quem viu Manchester United x Chelsea observou um primeiro tempo no qual o Manchester tomou conta. O Chelsea chegava apenas esporadicamente ao ataque, não conseguindo transpor a forte marcação dos “Red Devils”. E os “Blues” sofreram o gol de cabeça do português Cristiano Ronaldo (candidatíssimo a ser eleito como melhor jogador do mundo). Pareciam ter sentido o golpe. Entretanto, aos 45 da primeira etapa, não deixaram que o rival fosse para o intervalo com a vantagem. O inglês Frank Lampard empatou e deixou o jogo em um ponto de equilíbrio perigoso para ambos os lados. Vale lembrar que a final da “UEFA Champions League” é disputada em jogo único no campo neutro escolhido por sorteio com antecedência. Desta vez, o palco foi o estádio Luzhniki, na fria capital da Rússia, Moscou.
Na segunda metade do jogo, pode-se dizer que só deu Chelsea. O time de Londres, propriedade do bilionário russo Roman Abramovich, esteve muito próximo de sacramentar o título, assim como o Manchester esteve no primeiro tempo. Mas a trave e (olha ele de novo) o imponderável ajudaram, já que nenhuma das oportunidades criadas se converteu em gol. Restou a prorrogação, na qual se manteve a igualdade. Ou seja, ao final de 90 minutos de tempo normal, mais os 30 de tempo extra, as equipes não saíram do empate em 1 a 1. Restaram os pênaltis. Tudo estava igual até Cristiano Ronaldo, o ídolo maior da atualidade no Manchester, errar. Tudo estava a favor do Chelsea. O placar das penalidades apontava 4 a 4. Bastava a John Terry cobrar o quinto e último chute da série que daria a sua equipe o título inédito de campeão europeu. Mas a taça começou a mudar de mãos quando o zagueiro, capitão do time e um dos maiores salários do “Planeta Bola”, prosaicamente, escorregou, em um campo que tinha sido molhado pela chuva que caiu na Rússia. Chuva essa que não atrapalhou os outros cobradores, mas apenas Terry, que só teve a lamentar e chorar, ainda mais quando o francês Nicolas Anelka, seu companheiro de equipe e experiente atacante, errou a cobrança, o que confirmou o terceiro título da Liga na história do Manchester, o 11º de uma equipe inglesa na competição.

O fenômeno imponderável voou de Moscou até o Rio de Janeiro. Chegou a tempo de pousar no templo do futebol brasileiro, o Mário Filho, vulgo Maracanã, e se transformar em uma personagem das crônicas de futebol do imortal Nelson Rodrigues, dramaturgo, jornalista e, acima de tudo, um artista das palavras. A personagem era o “Sobrenatural de Almeida”, nome dado por Nelson a uma espécie de fantasma que assola o futebol, mudando os rumos de partidas e campeonatos como o vento muda de direção.
E foi o “Sobrenatural” que guiou o centroavante Washington, do Fluminense, até a bola alçada na área pelo meia Thiago Neves por meio de uma cobrança de escanteio aos 46 minutos do segundo tempo. No placar, 2 a 1 para o time carioca, que mesmo com a vitória, não se classificaria às semifinais da Libertadores da América, pois o São Paulo tinha marcado um gol na casa do adversário. Na primeira partida, 1 a 0 para o Tricolor Paulista, gol de Adriano, vulgo “Imperador”, que marcou também o gol são-paulino no Maracanã. Washington e Dodô haviam convertido os tentos do Fluminense.
Mas restava o lance de bola parada que definiu o jogo. Washington venceu os zagueiros do São Paulo no duelo pelo alto e testou a bola, mesmo sem tê-lo feito com os olhos abertos. Parecia que o seu coração, combalido por problemas cardíacos ocorridos há alguns anos, bateu com toda a força para lhe garantir o impulso necessário. O “Coração de Leão”, como ficou apelidado após se recuperar, converteu a cabeçada, fazendo o terceiro gol e classificando o time pela primeira vez a fase semifinal da Libertadores. O Maracanã explodiu em êxtase, enquanto o São Paulo, já dono de três títulos, viu o sonho do tetra sucumbir para um time brasileiro mais uma vez. Internacional de Porto Alegre, em 2006, Grêmio, em 2007, e agora o Fluminense tiraram os paulistas da luta pela taça.

Nelson Rodrigues, Fluminense fanático, deve muito ao seu Sobrenatural de Almeida. Criador e criatura certamente se regozijam, “à sombra das chuteiras imortais” (nome da coluna que Nelson escrevia sobre futebol). Tão imortais quanto o esporte bretão.
FOTO 1: Jogadores do Manchester United comemoram título em final inglesa da Liga dos Campeões (Crédito da foto: AFP)
FOTO 2: O capitão do Chelsea, o zagueiro John Terry, perdeu um pênalti e viu o título máximo do continente europeu escapar; restou apenas a tristeza (Crédito da foto: Reuters)
FOTO 3: Washington (em primeiro plano) comemora gol contra o São Paulo; o Fluminense garantiu a classificação para a semifinal da Libertadores no último lance, com gol dele (Crédito da foto: Efe)
“Projetos” no ar
Os trabalhos freelancers já podem ser conferidos na nova seção “Projetos”, que receberá atualizações constantes, conforme a execução de trabalhos para clientes. Até o momento, são três, cada um voltado para uma modalidade de comunicação na área de Jornalismo.
Confira os trabalhos clicando no link “Projetos”, no menu acima, e aguarde por mais novidades em breve.
Daqui a pouco
Logo mais entra no ar a nova seção “Projetos”. Mais um trabalho foi agregado, totalizando três freelancers realizados nas áreas de Assessoria de Comunicação, Jornal Impresso e Texto Institucional.
Boletim Informativo Nº 18
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