Archive for Agosto 11th, 2008
Entrevista – Marcelo Barbieri
Devido a extensão da entrevista com o candidato a prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri, dividi a divulgação no site em duas partes: alguns dos principais trechos em um post do blog e a versão, na íntegra em PDF para download, na seção “Entrevistas”.
Confira agora algumas das perguntas feitas ao candidato. Boa leitura.
ELEIÇÕES 2008
Folha inicia série de entrevistas com candidatos a prefeito
O primeiro é Marcelo Barbieri (PMDB), da Coligação Azul
JONAS GONÇALVES
Da redação
O jornal Folha da Cidade abre, a partir desta semana, um espaço democrático para entrevistar cada um dos candidatos a prefeito de Araraquara nas eleições de 2008. Nos próximos domingos, a edição do jornal trará nesta página uma série de perguntas aos que buscam exercer o cargo mais importante do Poder Executivo municipal de 2009 a 2012.
O primeiro a se apresentar é o candidato Marcelo Barbieri (PMDB), da Coligação Azul (PMDB-DEM-PPS-PRB-PC do B-PSL-PMN), que tem como vice o empresário Valter Merlos (DEM), presidente licenciado da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (Acia).
Administrador de empresas formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Fortes Barbieri, 51 anos, natural de Araraquara, iniciou a sua vida política na década de 1970, militando no movimento estudantil contra a repressão do regime militar. Chegou a ser vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ingressou no MDB (atual PMDB) em 1975.
Em 1990, aos 33 anos, foi eleito pela primeira vez deputado federal, representando Araraquara e região em Brasília. Foi membro titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que, em 1992, solicitou o impeachment (impedimento) do então presidente da República, Fernando Collor de Mello.
Foi reeleito para o cargo em 1994 e 1998. Em 2002, candidatou-se novamente, mas sua votação só lhe conferiu a suplência do deputado José Aristodemo Pinotti (então no PMDB, atualmente no DEM) que, em 2005, deixou a Câmara para ser secretário da Educação do então prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). Barbieri assumiu a cadeira de deputado mais uma vez, completando o mandato em 2006.
Em 1996, tentou pela primeira vez chegar a Prefeitura de Araraquara. Ficou em segundo lugar, atrás de Waldemar De Santi (PP). A segunda colocação ocorreria novamente em 2000 e 2004. Nas duas oportunidades, o peemedebista foi derrotado pelo atual prefeito, Edinho Silva (PT).
Confira agora as propostas, as prioridades e as idéias de Marcelo Barbieri na campanha de 2008.
FOLHA DA CIDADE – Candidato, sobre quais eixos estão apoiados os princípios de sua campanha? Qual é o maior desafio a ser enfrentado na disputa deste ano?
MARCELO BARBIERI – A campanha começou em dezembro do ano passado, quando fui lançado como pré-candidato pelo PMDB e mais três partidos (PRB, PC do B e PSL). A partir de janeiro, passamos a fazer reuniões nos bairros, ouvindo a população para preparar o programa da campanha. A síntese é o slogan que adotamos: “Araraquara quer mais – Marcelo vai cuidar da cidade e investir no futuro”.
Avaliamos que a atual administração, nestes oito anos, tem pontos positivos que a população destaca e que nós queremos dar continuidade, com a participação popular, um dos itens mais importantes de nossa plataforma.
Posteriormente, a coligação incorporou o PMN, o DEM e o PPS, o que nos proporcionou importantes apoios, como o do deputado federal Dimas Ramalho (PPS), uma contrapartida ao apoio que dei a ele nas eleições de 2006. O DEM acabou indicando o vice, Valter Merlos (DEM), presidente da Acia. Ampliamos o núcleo de debates e, ao mesmo tempo em que fazíamos as reuniões nos bairros, mantivemos conversas com especialistas em cada área (saúde, educação, transporte, segurança etc.).
Destacamos como ponto importante que queremos manter o que está bom na atual administração. Não estamos fazendo uma campanha contrária radical. O que estiver sendo feito e for bom para a cidade, será mantido e ampliado. Aquilo que precisar de alterações, será mudado.
FOLHA – Qual é o setor que mais necessita de ações da Prefeitura em um primeiro momento de uma eventual administração?
BARBIERI – Apesar de todos os esforços da atual gestão, o setor da saúde apresenta lacunas e demandas. Constatamos nas reuniões que a maior necessidade é nessa área.
Tenho plena consciência de que, somente com o orçamento municipal, não conseguirei atender a todas as demandas. Por isso, quero agregar a minha experiência para buscar verbas. Durante 14 anos fui deputado federal, tendo trabalhado um ano na Casa Civil da Presidência da República. Dessa forma, tenho bom trânsito político tanto em São Paulo quanto em Brasília.
Uma das grandes demandas da área da saúde é a construção de uma Unidade de Tratamento de Câncer Infantil. Outra é a construção de uma maternidade, que teria o nome “Gota de Leite”, mas não seria no mesmo prédio em que a Gota tinha as suas instalações. Seria uma unidade para atendimento de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) totalmente nova. Também consta no programa a construção de uma Unidade de Tratamento de Queimados.
Mais de 100 mil pessoas dependem do atendimento pelo SUS. Atualmente, a administração da saúde é totalmente municipal, ao contrário de outros setores, que possuem responsabilidade conjunta municipal, estadual e federal, como é o caso da Educação. Para a saúde, foram destinados R$ 71 milhões do Orçamento em 2007. Apesar disso, há uma insatisfação, especialmente quanto ao prazo para marcação de consultas com especialistas, de exames mais complexos e de cirurgias eletivas.
Outro dado importante é que Araraquara concentra 80% da lotação dos leitos para pacientes do SUS no setor de urgência e emergência. A rede básica de saúde não está a contento, precisa ser recuperada. Existem 22 centros de saúde na cidade (NIS, PSF, postos de saúde etc.). Em muitos bairros, essa rede básica possui deficiências. As pessoas reclamam de falta de médico e de remédios. Não está havendo a prevenção adequada a partir desses centros, que é o princípio do SUS.
FOLHA – O novo contorno ferroviário tornou-se objeto de grande expectativa em diversos aspectos, especialmente no que se refere ao desenvolvimento econômico. Existe um plano específico para o impacto dessa obra em seu plano de governo?
BARBIERI – Estou envolvido diretamente com essa obra desde o início. Fui o primeiro a conseguir a liberação de verba federal para esse projeto, em 2000. Foram R$ 3 milhões, quando o então prefeito Waldemar De Santi elaborou o primeiro projeto, juntamente com o Exército. É basicamente o mesmo projeto que será implementado pela nova proposta feita pelo DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes). A proposta já era a de transferir o pátio de manobras para Tutóia e fazer o contorno de 12 quilômetros circundando a periferia da cidade. Dos R$ 3 milhões, foram gastos R$ 400 mil.
Atualmente, o presidente da República está diretamente envolvido com a obra. O Lula veio aqui e assinou a ordem de serviço, o que foi extremamente positivo. Será a grande obra urbana de Araraquara, que terá uma comissão específica para discuti-la, já aprovada na Câmara Municipal. Sou a favor de um debate público. Se for eleito prefeito, irei apresentar a minha visão sobre o que deve ser feito. Uma preocupação fundamental é não impermeabilizar essa área, pois isso criaria um problema com escoamento de água, o que poderia acarretar em enchentes.
Outro ponto essencial é a integração Vila-Centro. O escoamento de trânsito é caótico. Se você passar às 18h no balão da avenida Luiz Alberto com a rua Maurício Galli, indo para a Alameda Paulista, é possível constatar o problema. Os pontilhões, que foram feitos pelo meu tio Leonardo Barbieri ainda na década de 60, hoje são absolutamente insuficientes para atender a demanda de tráfego. São quatro pontos de escoamento entre Vila Xavier e Centro. É necessário fazer um novo planejamento para que o fluxo seja melhorado.
Minha visão é de que a área a ser liberada pela transferência dos trilhos deve ser uma parte nobre da cidade. Serão liberados 1,4 milhão de metros quadrados, que na minha visão devem contemplar áreas de lazer, parques, prédios e também a nova área administrativa do município, com a construção de novos prédios para Prefeitura, Câmara, Fórum, entre outros órgãos, concentrando os três poderes.
É necessário ouvir arquitetos urbanistas daqui e de outros lugares, que passaram por experiências de terem mudado cidades, a exemplo do que ocorreu em Goiânia (GO) e Palmas (TO).
FOTO: O candidato Marcelo Barbieri elegeu a saúde como prioridade de um eventual mandato (CRÉDITO: JONAS GONÇALVES/FOLHA DA CIDADE)
Entrevistas
A seção “Entrevistas” sofreu uma reformulação devido a cobertura das eleições. Os principais trechos das conversas com os candidatos a prefeito de Araraquara serão colocados neste blog, enquanto a versão completa de cada uma estará disponível para download em PDF na seção “Entrevistas”.
Já está disponível em PDF a entrevista com o candidato Marcelo Barbieri (PMDB). Logo mais, serão colocadas aqui algumas das perguntas respondidas sobre temas como saúde, educação, segurança, entre outros.





