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Entrevista – Vermelho
O candidato José Eduardo Oliveira, o “Vermelho” (PSOL), concedeu a segunda entrevista da série promovida pelo jornal Folha da Cidade com os candidatos a prefeito de Araraquara. Leia a seguir um trecho da conversa, que será disponibilizada no início da próxima semana em PDF, na seção “Entrevistas”.
ELEIÇÕES 2008
Vermelho critica desperdícios e defende ajustes na gestão da Prefeitura
JONAS GONÇALVES
Da redação
O candidato a prefeito pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), José Eduardo Oliveira, conhecido como “Vermelho”, não quer saber do rótulo de “nanico”, imposto a ele e também ao candidato do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), Eraldo Strumiello. Participando pela primeira vez do processo eleitoral no município, o PSOL, criado em 2004 como uma dissidência do PT, está plenamente disposto a entrar no debate da sucessão de Edinho Silva.
Vermelho é professor da rede particular de Ensino Médio, nas disciplinas de Geografia e Sociologia. De 2001 a 2004, então filiado ao PT, foi secretário de Finanças da Prefeitura, no primeiro mandato de Edinho. Também já ocupou o cargo de diretor financeiro da CTA (Companhia Tróleibus Araraquara).
A entrevista também teve a presença e a participação do candidato a vice na chapa, o funcionário do DAAE (Departamento Autônomo de Água e Esgotos) Lairton dos Santos, também do PSOL.
FOLHA DA CIDADE – Como se deu o processo de lançamento da sua candidatura e quais são os princípios da campanha?
VERMELHO – O PSOL é um partido novo. Disputou apenas uma eleição, em âmbito nacional, em 2006, com a candidatura a presidente da Heloísa Helena, que chegou a obter 8.500 votos em Araraquara, além do Plínio de Arruda para governador do Estado. Na cidade, o núcleo do partido iniciou as atividades em 2005 e foi ganhando adesões nos últimos anos.
Em 2007, deixei o PT e fui para o PSOL. O motivo foi uma degeneração ética e programática do PT, que abandonou os seus princípios e sua linha de atuação. Outros também saíram. Costumo dizer que alguns foram para casa, enquanto outros foram para o PSOL, que é um partido em construção. Por isso, a luta eleitoral para nós é uma batalha duríssima. Nem sempre temos espaço para divulgar nossas propostas e poderíamos ficar de fora. Porém, temos uma visão diferente dos demais partidos, principalmente dos tradicionais. Um exemplo disso é o fato de que não recebemos doações de pessoas jurídicas, apenas de físicas, com um limite que impusemos e discussão interna sobre cada uma.
Nossa estimativa máxima de gastos é de R$ 50 mil. Achamos que dificilmente passaremos de R$ 6 mil. Temos uma campanha essencialmente militante, com uma equipe formada por profissionais que continuam atuando, como é o meu caso, pois continuo dando 20 aulas por semana.
Apesar das limitações financeiras, vamos colocar uma campanha no Horário Eleitoral Gratuito, mesmo isso tendo um alto custo. Sabemos que as campanhas mais ricas terão uma produção muito elaborada, apresentando soluções para todos os problemas. Entretanto, é necessário ir além, explicando o porquê de algumas coisas não estarem boas. Os governos costumam guardar dinheiro para as eleições para ativar a máquina no ano eleitoral. Só que depois, tudo volta a ser como era antes, com os mesmos problemas.
Nossa diretriz básica é a transparência na coisa pública: mostrar pagamentos a fornecedores, execução de contratos e todas as outras operações da Prefeitura. Atualmente, a tecnologia permite isso. Na época em que fui secretário de Finanças, havia uma dificuldade para divulgar todos os dados. Porém, hoje isso é possível, até recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foram destinados para a modernização da gestão. A execução orçamentária é mostrada, mas não de forma clara, como deve ser.
FOLHA – No período em que as candidaturas estavam sendo formalizadas, o PSOL e o PSTU chegaram perto de firmar uma aliança de esquerda, mas isso não se concretizou. Quais foram os motivos para o desacordo partidário?
VERMELHO – Nós discutimos os princípios de um programa de governo. Tínhamos alguns pontos em comum, mas também algumas divergências. Entendemos que a indicação do Eraldo Strumiello pelo PSTU não foi a mais adequada pelo fato de ele praticamente viver em São Carlos e não ter o conhecimento necessário de Araraquara. Mas eles resolveram lançá-lo como candidato, o que nós consideramos legítimo. Dessa forma, nós também resolvemos lançar candidatura própria.
O PSTU não é nosso adversário. Não é porque nós não entramos em acordo que iremos nos confrontar. Estamos na eleição para enfrentar no debate as outras candidaturas.
FOLHA – Quais são os principais problemas a serem enfrentados na administração dos recursos públicos?
VERMELHO – Uma questão fundamental para nós é a racionalização dos cargos de confiança. Um exemplo de problema que ocorre é em relação às subprefeituras criadas nesta gestão (Vila Xavier e Bueno de Andrada). Neste ano, vão ser gastos cerca de R$ 280 mil somente para pagar os salários dos subprefeitos, carros alugados e telefones. Na verdade, são apenas cargos políticos, pois significou pouco ou nada para a população. Se for verdade que o município atravessa problemas financeiros, então é um desperdício ter esse nível de gasto com as subprefeituras. Assim como existem outros desperdícios na máquina pública por falta de critérios.
Outro exemplo é o que ocorre na Biblioteca Municipal “Mário de Andrade”, que reclama ter poucas assinaturas de publicações. Já o gabinete do prefeito, somente no primeiro semestre deste ano, já gastou R$ 16.500 com assinaturas de periódicos, enquanto no mesmo período a Biblioteca só teve R$ 1.500 a disposição para arcar com essa despesa. Além disso, o próprio acervo da Biblioteca carece de renovação. Ou seja, são várias distorções nos gastos públicos.
LAIRTON – O que ocorre atualmente é a falta de qualidade nos gastos. Como não há recursos suficientes para atender a todas as demandas, então é preciso saber como e onde gastar.
VERMELHO – Só no primeiro semestre, já foram gastos R$ 800 mil apenas com publicidade. É necessário divulgar, mas é evidente que, por causa do ano eleitoral, houve um aumento considerável dos gastos nessa área.
É preciso corrigir distorções no funcionalismo público. O Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) deve ser revisto, pois está com uma estrutura verticalizada, com uma série de gerências. Isso causa diversos problemas, até em serviços de ponta, como na saúde. É só constatar que houve uma epidemia de dengue na cidade. E que há uma grande demora para se marcar exames e cirurgias eletivas, por exemplo.
FOTO: O candidato a prefeito Vermelho (à esq.) com o vice na chapa, Lairton dos Santos (CRÉDITO: JONAS GONÇALVES/FOLHA DA CIDADE)





