Entrevista – Eraldo Strumiello
Abaixo, seguem trechos da entrevista realizada com Eraldo Strumiello, candidato a prefeito pelo PSTU, que será publicada no próximo domingo (31) na Folha da Cidade.
Como já foi mencionado, a reprodução da entrevista na íntegra em PDF será disponibilizada para download a partir da próxima segunda-feira (1/9).
Eraldo promove candidatura ”classista” contra desigualdades
Candidato do PSTU defende “sobretaxação” das grandes fortunas
JONAS GONÇALVES
Da reportagem
Nas pesquisas, ele aparece como o que teve menor índice de menções até agora. Entretanto, o professor de Ensino Fundamental (Educação Complementar) Eraldo Strumiello (PSTU) mantém a sua campanha, com o apoio dos militantes do partido, que querem utilizar o espaço no processo eleitoral para falar sobre os problemas vivenciados pelos trabalhadores.
A candidatura de Eraldo (ou “Professor Eraldo”, como virá na urna eletrônica) só foi lançada após desacordo entre o PSTU e o PSOL, que lançariam uma “frente de esquerda”. Mesmo sem a coligação, o PSTU lançou Eraldo e colocou no Horário Eleitoral Gratuito a propaganda do partido, apoiada no discurso socialista, que prega a luta dos trabalhadores contra as desigualdades provocadas pelo sistema capitalista.
A seguir, confira a visão de Eraldo Strumiello sobre o que poderia ser feito na administração de Araraquara.
FOLHA DA CIDADE – Quando foi que o PSTU decidiu lançar candidatura própria? Quais foram os motivos que impediram a coligação com o PSOL?
ERALDO STRUMIELLO – Houve uma discussão entre os militantes do partido sobre a necessidade de a classe trabalhadora ter uma candidatura de esquerda na cidade. É importante que os trabalhadores possam se organizar, visando buscar atender às suas necessidades. O processo eleitoral é um meio de expressar essas demandas.
Tentamos organizar uma frente de esquerda, visando unir os trabalhadores em uma candidatura classista. Em Araraquara, além do PSTU, há o PSOL. Procuramos discutir a possibilidade, mas chegamos ao ponto de escolher o candidato a prefeito. Houve o impasse, pois o PSOL não abriu mão de lançar o Vermelho (José Eduardo Oliveira). Mas, para nós do PSTU, o Vermelho fez parte do governo Edinho no período em que os servidores municipais fizeram um enfrentamento (greve) e não rompeu com a administração naquele momento. Ele não veio para o lado dos trabalhadores e seguiu com o governo até o segundo mandato, no setor de transportes (trabalhou na CTA – Companhia Tróleibus Araraquara; antes, era secretário de Finanças da Prefeitura).
Aliás, achamos que o transporte público da cidade é caro e ineficiente. Os estudantes não têm passe livre, uma reivindicação histórica da esquerda. Portanto, não aceitamos o nome do Vermelho. Teria que ser alguém identificado com as lutas dos trabalhadores. Fui escolhido, mas o PSOL não aceitou. Então, cada um lançou sua candidatura.
FOLHA – A saúde é o setor mais comentado na campanha. O que pode ser feito para melhorá-la no município?
ERALDO – Os postos de saúde e os NIS (Núcleos Integrados de Saúde) poderiam funcionar 24 horas nos bairros da periferia. Por exemplo, achamos um absurdo alguém ter que sair do Selmi Dei, pegar ônibus lotado e fazer baldeação para poder chegar ao Pronto-Socorro do Melhado. É um sacrifício que não precisaria ser feito, se houvesse condições de atendimento no Selmi Dei.
Tem várias possibilidades para melhorar o atendimento, como médicos da família, reabertura de pronto-socorro ou melhoria no atendimento da Santa Casa, que se encontra hoje parcialmente privatizada. Nenhum dos outros candidatos fala como é possível garantir essas melhoras. Nós acreditamos que só será possível mudar se a Prefeitura tiver dinheiro. Tem que se falar de onde viria esse recurso.
Araraquara tem um grande potencial de arrecadação, que vem crescendo. A pergunta é: para onde vai esse dinheiro? Uma parte vai para o pagamento de dívidas públicas, por imposição da Lei de Responsabilidade Fiscal. O próximo prefeito deve ter uma postura firme contra essa legislação. Para o PSTU, em primeiro lugar, está a saúde da população. Depois viria o pagamento de dívidas, pois esse dinheiro acaba indo para os grandes banqueiros, que já têm muito. Ao mesmo tempo, é preciso garantir outras formas de arrecadação.
FOLHA – Como seria possível realizar uma de suas propostas, a sobretaxação das grandes fortunas?
ERALDO – As grandes fortunas são resultado da exploração dos trabalhadores da cidade. Os donos dessas fortunas devem pagar mais, com a aplicação do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) progressivo, ao contrário do que ocorre hoje. Acreditamos que os trabalhadores devem pagar bem menos.
Isso demanda uma legislação municipal específica. Teria que haver um debate com a população de Araraquara, a fim de que se elaborasse um Projeto de Lei, com o apoio de um prefeito que priorizasse o interesse da classe trabalhadora. Com maior arrecadação, seria possível ter mais dinheiro para saúde, educação, habitação, entre outras demandas.
CRÉDITO DA FOTO: VALESCA MENDONÇA/FOLHA DA CIDADE





