Archive for Setembro 22nd, 2008
Debate intensifica conflitos e acirra reta final
Reproduzo abaixo texto que também será publicado na edição de amanhã da Folha da Cidade.
Os candidatos a prefeito de Araraquara se encontraram pela primeira vez na televisão, em debate promovido neste domingo (21) pela retransmissora regional da Rede Record, sediada em Ribeirão Preto. O encontro foi o primeiro que reuniu todos os seis postulantes ao cargo, fazendo com que o evento ganhasse um caráter decisivo.
O debate mostrou que a reta final da eleição deve ter um forte conflito entre as candidaturas de Marcelo Barbieri (PMDB) e Edna Martins (PT), que buscam polarizar as atenções devido aos resultados obtidos em pesquisas de intenção de voto. Entretanto, os demais candidatos também tiveram importante participação.
O ex-prefeito Waldemar De Santi (PP), que pela primeira vez compareceu a um encontro com os outros candidatos, demonstrou serenidade nas suas considerações. Não buscou conflitar planos de governo. Priorizou a enumeração de obras realizadas em suas administrações e críticas ao modo como a gestão Edinho Silva administra a cidade. De Santi também se apoiou na própria experiência, pois afirmou que “o povo já conhece” o seu modo de administrar.
O candidato Pedro Tedde (PSDB) repetiu a estratégia adotada no debate da Rádio Cultura, realizado no último dia 16, ao buscar o conflito com Marcelo Barbieri. Contudo, diferentemente do encontro na rádio, o peemedebista não quis contemporizar e questionou as intenções do tucano, dizendo que ele parecia querer “ajudar o PT”, referindo-se a Edna Martins, sua principal concorrente nas pesquisas de opinião.
Outro ponto de conflito entre Barbieri e Tedde foi a disputa pelo apoio do governador José Serra. Enquanto o candidato do PSDB se disse alvo da “inveja dos adversários” pelo fato de Serra ser do mesmo partido e, portanto, um aliado, o candidato do PMDB aproveitou para alfinetar o adversário, afirmando que “Serra quer apoiar um candidato com chances reais de vencer a eleição”, uma clara referência aos baixos índices de intenção de voto obtidos por Tedde até o momento (manteve entre 2 e 3%, só tendo no máximo 6,5% na pesquisa do Instituto Brasmarket, encomendada pela própria Record).
ESQUERDA - José Eduardo Oliveira “Vermelho” (PSOL) e Eraldo Strumiello (PSTU) se aliaram no debate para questionar os demais candidatos, classificando-os como “financiados pelo grande empresariado, que depois cobrará favores de quem for eleito”. Eraldo chegou a dizer que Pedro Tedde é um dos empresários que mais doam dinheiro para campanhas políticas, como a do deputado federal Dimas Ramalho. A produção do debate concedeu direito de resposta a Tedde, que admitiu ter doado dinheiro, mas nunca visando interesses. “Minha construtora nunca fez nenhum trabalho para a Prefeitura”, afirmou o tucano.
Os dois também aproveitaram para pressionar Edna, devido ao fato de ela ser a candidata da situação. Diversas críticas a administração Edinho Silva e ao PT foram feitas pelos candidatos considerados “de esquerda” neste processo eleitoral.
Edna também foi seguidamente criticada por Vermelho e Eraldo pelo fato de ser a presidente da Câmara Municipal. Tanto o candidato do PSOL quanto o do PSTU fizeram críticas a gastos do Poder Legislativo municipal. Outro ponto abordado mais de uma vez foi o tratamento dispensado aos servidores municipais da Prefeitura durante a greve destes ocorrida neste ano. Segundo Eraldo, Edna teria “virado as costas” para o funcionalismo. A petista negou todas as acusações e fez questão de reafirmar o compromisso de administrar a cidade “em parceria com os servidores, ouvindo suas reivindicações”.
Edna também reiterou a postura de assumir a responsabilidade de continuar o que foi feito nos últimos oito anos. “Esta eleição é uma disputa de projetos políticos”, ressaltou a candidata, que chamou a atenção para o fato de ser apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Seu principal adversário, Marcelo Barbieri, endossou a polarização, visando assumir a condição de candidato que poderá promover uma alternância de poder, tendo tanto o apoio de Lula como o de Serra. “Não tenho nada contra o Edinho, mas acredito que o PT já deu a sua contribuição nestes últimos oito anos. É hora de mudar”, disse.
FOTO: Debate foi realizado no estúdio da Record em Ribeirão Preto (CRÉDITO: Jéssica Lima)






