Archive for Outubro 2008
Enquete – Eleições americanas
Voto antecipado
Com o objetivo de evitar intermináveis filas e confusões no dia da eleição (4 de novembro), 32 dos 50 estados americanos iniciaram antecipadamente o processo eleitoral. Nos EUA, cada unidade federativa tem autonomia suficiente até mesmo para escolher como será a cédula eleitoral de papel, ainda utilizada por lá. Urnas eletrônicas (diferentes das brasileiras) são usadas em alguns lugares, mas ainda existem dificuldades em termos de confiabilidade e segurança.
Reportagens vêm mostrando como é o processo eleitoral americano. Para quem está acostumado com a organização e eficiência do Brasil, os EUA são extremamente confusos. Em Ohio, por exemplo, a cédula eleitoral está mais para um grande questionário, com seis páginas, em que o eleitor precisa fazer outras escolhas, além do candidato a presidente. Os eleitores também deverão escolher os novos membros da Câmara dos Representantes – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – novos senadores (um terço do Senado poderá ser renovado) e 11 estados escolherão novos governadores. Engana-se quem pensa que Barack Obama e John McCain são os únicos postulantes ao cargo. Vários outros candidatos, com campanhas bem mais modestas e com pouquíssima exposição na mídia americana e de outros países, também estão concorrendo, a exemplo do independente (sem partido) Ralph Nader.
Estimativas apontam que 15 milhões de eleitores já votaram. Grandes filas se formam a todo instante nas zonas eleitorais e alguns acabam até desistindo depois de horas de espera. O voto nos EUA não é obrigatório, mas o nível de participação política sempre é intenso. Pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisas Pew nesta semana aponta que Barack Obama está na frente entre os que já votaram, com 52% dos votos, bem a frente de John McCain, que teria atingido a marca de 34%.
Por ser uma eleição indireta, nos EUA são escolhidos delegados que representarão a vontade do povo de cada estado no Colégio Eleitoral. Quando um candidato é escolhido pela maioria dos eleitores de um estado (por exemplo, Ohio), ele vence e terá os delegados, que votarão nele no Colégio Eleitoral. Cada estado tem um número determinado de delegados. A Califórnia (estado mais populoso, com 36 milhões de habitantes) tem 55 delegados. Ou seja, o candidato que obtiver a maioria dos votos populares californianos terá 55 votos favoráveis no Colégio Eleitoral. No total, são 538 delegados. Para se atingir a maioria, é preciso obter 270 votos.
Breves considerações
*Em visita ao 25º Salão do Automóvel de São Paulo, nesta quarta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não é necessário “entrar em uma crise psicológica” devido a atual crise econômica internacional.
>> É fato consumado que a crise afeta o mundo todo. Obviamente, o Brasil não é o epicentro do problema (são os EUA). Entretanto, o sinal de alerta é muito claro: quem gasta demais e depois não tem como pagar a conta, entra em crise profunda. Em geral, o brasileiro se deixa levar facilmente por uma onda de consumismo, como aconteceu diversas vezes. A título de exemplo, a euforia do Plano Cruzado, em 1986. Deu no que deu: hiperinflação e recessão. A economia precisa do consumo para se manter. Mas tudo que é demais faz mal. Os estadunidenses consumiram e compraram muito. Agora, pagam o preço. A dica para o mundo é: consumir sim, mas com responsabilidade.
*A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que cria o Fundo Soberano Brasileiro (FSB), que tem por objetivo auxiliar empresas em períodos difíceis da economia.
Foram cerca de 10 horas de votação. Os deputados de oposição querem fazer alterações, o que mantém o projeto em tramitação na Casa. Somente depois que todos os destaques forem aprovados será possível encaminhar o projeto para a avaliação do Senado. O FSB contaria com 0,5% do PIB (R$ 14,2 bilhões). O DEM e o PSDB criticam a iniciativa, alegando que o Brasil não teria condições de sustentar um fundo dessa natureza. De fato, seria muito arriscado manter uma poupança para emprestar dinheiro a empresas com crise de liquidez, que não conseguem obter mais crédito a fim de fazer exportações, por exemplo, no contexto atual de crise. O governo alega que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia realizar parte dos empréstimos. Nesse caso, o FSB seria algo redundante, pois o mais lógico seria repassar os recursos diretamente ao banco estatal, que tradicionalmente realiza empréstimos a empresas.
*Em um comercial de meia hora que já é considerado o mais caro da história dos EUA (US$ 6 milhões), o candidato democrata a presidência, Barack Obama, declarou que irá promover “a volta do sonho americano”.
>> A retórica do “american dream” é tudo o que os estadunidenses querem ouvir neste momento de turbulência e incertezas. Até algum tempo atrás, eles compravam casas com crédito muito fácil, iam às compras com voracidade e passavam o cartão de crédito sem se preocuparem com o amanhã. Quando este chegou, cobrou as despesas. Sem fundos, a população da maior potência global se vê em uma encruzilhada, ainda mais em um ano eleitoral. Obama aparece com a mensagem da esperança, enquanto McCain prega que teria mais experiência para lidar com a crise e devolver aos EUA o rumo perdido com o desastrado governo de seu companheiro republicano, George W. Bush. Todas as pesquisas indicam que Obama sairá vencedor do pleito de 4 de novembro. Mas McCain não entrega os pontos e ataca o oponente com virulência, acusando-o de quebrar a promessa de que só utilizaria o financiamento público para sua campanha.
Segundo turno
Nas 30 cidades brasileiras em que foi necessário haver segundo turno, poucos fatos realmente chegaram a surpreender. A grande emoção ficou por conta do Rio de Janeiro, que teve uma disputa acirrada entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV). Paes foi o vencedor, mas por uma margem muito pequena (50,83% ante 49,17%). No início da apuração, Gabeira chegou a aparecer na frente, mas na maior parte, o candidato do PMDB se manteve na dianteira, ainda que sem abrir grande vantagem. Prevaleceu a força do partido no Rio, que já tem o governador, Sérgio Cabral. Resta ao deputado federal do Partido Verde a glória de ter iniciado a disputa como “zebra” e ter acabado como um político que sai fortalecido da disputa e credenciado para um próximo pleito.
Em São Paulo, Gilberto Kassab confirmou a enorme dianteira apontada pelas pesquisas de opinião, vencendo Marta Suplicy (PT) com facilidade (60,72% a 39,28%). A derrota do PT na capital paulista sinaliza que o governador José Serra (PSDB) está mais forte do que nunca em seu principal reduto. Porém, ainda é muito prematuro afirmar que o tucano será eleito presidente em 2010, como alguns jornalistas e outros especialistas da área da Política se apressam em garantir. Obviamente, Serra é, na atual conjuntura, o candidato mais forte, ainda mais levando-se em consideração o panorama depois das eleições municipais. Mas, ainda faltam dois anos. Vale lembrar que Serra terá que vencer a disputa interna em seu próprio partido pela candidatura, salvo uma grande articulação que envolva o seu provável adversário, o governador Aécio Neves, de Minas Gerais.
Aécio, assim como Serra, também elegeu o seu candidato nestas eleições. Na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) derrotou Leonardo Quintão (PMDB) por 59,12% a 40,88%. Do duelo mineiro, duas curiosidades: a primeira é que Lacerda foi apoiado tanto pelo PT do atual prefeito Fernando Pimentel quanto pelo PSDB de Aécio, em uma composição polêmica, inusitada e ousada, que poderá sinalizar novos rumos para a política brasileira; a segunda é o fato de que o candidato do PMDB venceu o primeiro turno, vencendo o favorito Lacerda, que só conseguiu confirmar tal condição depois de virar o jogo no segundo turno.
É praticamente impossível que PT e PSDB se unam em 2010. Os dois são ferrenhos adversários no plano nacional, possuem divergências históricas e mantêm uma disputa pelo poder desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente pela primeira vez. Suas duas vitórias sobre Luiz Inácio Lula da Silva fizeram os dois partidos se colocarem em campos opostos: o PSDB foi tachado de “direita” ao se aliar com o então PFL (atual DEM), enquanto o PT liderou a “esquerda” (algo que hoje é impensável, visto que entre os partidos de esquerda como PSOL e PSTU, o PT foi para a “direita” depois que assumiu o poder). As disputas continuaram em 2002 e 2006, com as duas vitórias de Lula sobre Serra e Geraldo Alckmin, respectivamente.
Pelo campo dito “de direita”, a tendência é que o PSDB e o DEM se unam de forma definitiva a partir da eleição de Kassab em São Paulo. O PT, que é a atual situação no poder, sofre com o fato de não ter uma candidatura com chances reais (ao menos até agora). Se for seguir uma lógica pragmática, dará lugar na cabeça de chapa a Ciro Gomes (PSB), que é o único com chances reais de enfrentar Serra. Seja qual for a disputa, o fiel da balança será o PMDB. O partido, que é o maior do Brasil em número de militantes e de prefeitos eleitos no País, tem força política também nas duas casas do Poder Legislativo nacional (ocupa a presidência do Senado e deverá conquistar a da Câmara). Se optar por Serra em 2010 (como o diretório paulista quer, pois já apoiou Kassab), tornará a oposição ainda mais forte. Agora, se pender para a situação (seguindo a praxe de seu fisiologismo desde a redemocratização), equilibra as forças e torna o jogo sucessório acirrado.
Ainda há muito mais para ser analisado nos próximos dois anos. O mais importante é ter a consciência de que a política não pára.
Processo tranquilo
Os procedimentos para a transição de poder na Prefeitura de Araraquara devem transcorrer de forma normal. O prefeito Edinho Silva e o eleito nas urnas em 2008, Marcelo Barbieri, se encontraram na manhã de ontem e puderam iniciar os primeiros entendimentos.
A prioridade é evitar qualquer tipo de obstáculo aos diversos procedimentos realizados pela administração municipal. É provável que algumas das mais de 40 obras em andamento na cidade não estejam encerradas até o dia 31 de dezembro. Por isso, é importante que o futuro prefeito saiba o que irá encontrar pela frente.








