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Obama vencerá… e depois?

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Neste momento, os americanos pensam menos na eleição presidencial e mais na crise econômica que assola o país, oriunda da irresponsabilidade especulativa no setor imobiliário. Quase US$ 1 trilhão deverá ser gasto pelo governo para tentar, ao menos, evitar um desastre ainda maior.

Mas, como a disputa entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain está na reta final, é impossível simplesmente esquecê-la. Até mesmo porque o futuro dos EUA depende, em grande parte, da escolha que será feita.

Enquanto McCain tenta se diferenciar de seu colega George W. Bush, que irá encerrar seu mandato de forma melancólica e impopular no próximo mês de janeiro, Obama tem um respaldo cada vez maior, potencializado pela insatisfação crescente dos americanos com relação a economia.

Pela magnitude da crise, ganhar a eleição tornou-se uma tarefa simples. Os institutos de pesquisa já o apontam com uma vantagem de até 11 pontos (52% a 41% na pesquisa Gallup). Essa tende a ser a vitória mais fácil de um candidato norte-americano a presidente desde a reeleição do democrata Bill Clinton, em 1996, quando o então ocupante do cargo não teve problemas para derrotar o republicano Bob Dole.

Após um ciclo de dois mandatos (oito anos), os americanos raramente deixam de renovar. Para se ter uma idéia, a exceção mais “recente” ocorreu nas eleições de 1988, quando após dois mandatos do republicano Ronald Reagan, George Bush (pai) estendeu o domínio do partido por mais quatro anos, derrotando na ocasião o democrata Mike Dukakis.

Essa alternância de poder entre os dois grandes partidos é absolutamente natural. Por mais que se diferencie um do outro pelas características conservadoras dos republicanos e liberais dos democratas, há pouca diferença no exercício do poder em relação ao que se exige de um presidente dos EUA: manter o país no topo global.

O país já sobreviveu a crises como a de 1929 (“crack” da bolsa de New York) e a de 2000 (estouro da “bolha” especulativa da Internet ou “crack da Nasdaq”). Nos dois casos, foi elaborado e executado um plano de recuperação, que reestruturou a economia.

Com a iminente vitória de Obama, fica a pergunta: será que, desta vez, existe um plano, neste caso na mente do senador por Illinois? Aparentemente, sim. Porém, ainda na condição de candidato, o máximo que pode fazer é debater o assunto com McCain, visando a concorrência pelo cargo. Não é uma situação fácil. Contudo, será ainda pior quando, se realmente for eleito, tiver que assumir as rédeas. A emergência é inimiga da racionalidade. Se não houver equilíbrio e responsabilidade, as conseqüências continuarão se refletindo no mercado financeiro, que sangra em profusão. Resta esperar que haja um estancamento.

Mas, perguntariam alguns… e o Iraque? Vale lembrar que, evitando as mais recentes guerras, os EUA estariam em uma situação menos dramática, pois a ofensiva contra o terrorismo no Afeganistão e a intervenção no Iraque só causaram destruição e mortes. Os EUA devem retirar suas tropas do Oriente Médio e se concentrar em resolver os próprios problemas. Ser “polícia do mundo” só gera gastos infrutíferos, além da rejeição interna e externa.

No auge da crise, a velha máxima do marqueteiro político de Bill Clinton em 1992, James Carville, volta com toda a força: “É a economia, estúpido!”. E Obama está se aproveitando muito bem do retorno desse contexto. A História, mais uma vez, prova que é pendular: determinadas situações podem se repetir em épocas distintas.

Escrito por Jonas Gonçalves

09/10/2008 às 01:22

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