Blog do Jonas Gonçalves

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Virada à paulistana

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O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), protagoniza uma grande virada no pleito de 2008. De terceiro lugar nas pesquisas, em situação complicada, tornou-se um cometa ascendente, daqueles que só são possíveis em uma disputa com milhões de eleitores. A capital paulista tem 8.198.301 votantes, sendo que 2.140.423 (33,61%) votaram em Kassab no primeiro turno, superando a antes favorita Marta (PT), que obteve 2.088.329 (32,79%). No segundo turno, o prefeito deverá vencer, salvo algum fato extraordinário que favoreça a petista.

O responsável pela ascensão meteórica de Kassab, que completa o mandato do eleito em 2004, José Serra (PSDB), hoje governador do Estado, é justamente o partido tucano. A força do PSDB em São Paulo é inegável. Isso se reflete no âmbito estadual (Mário Covas em 1994 e 1998, Geraldo Alckmin em 2002 e José Serra em 2006 mantiveram a hegemonia social democrata). Entretanto, até 2004, a legenda nunca havia eleito o prefeito da capital, a sua principal base. Foi quando Serra, que havia sido derrotado em 1996 (nem chegou ao segundo turno) conseguiu quebrar o tabu, vencendo logo no primeiro turno. Marta tentava a reeleição.

São Paulo é pródiga em grandes viradas. Em 1988, Paulo Maluf (PP) foi derrotado na reta final do segundo turno por Luiza Erundina (então no PT, hoje no PSB), um surpreendente ”cometa” eleitoral.

Em 1992, Maluf conseguiu ser eleito, derrotando o petista Eduardo Suplicy. Para completar, fez o sucessor, Celso Pitta, em 1996. Foram duas eleições em que o malufismo conseguiu evitar que a escrita da virada se tornasse hegemônica.

Mas ela voltou em 2000. O então favorito Maluf levou a virada de Marta. E esta, por sua vez, foi derrubada por Serra em 2004. Se não reagir, a petista caminhará para mais uma derrota, agora para Kassab. Se isso se confirmar, será a segunda perda durante o período em que o PT deveria ter o melhor desempenho: o cada vez mais popular governo Lula.

ASCENSÃO KASSABISTA – Com Serra indo para o governo estadual em 2007, sobrou para o vice Kassab dar continuidade a administração.

Serra certamente sabia que, em 2008, o PSDB e o DEM poderiam se confrontar na disputa pelo encabeçamento da chapa de sucessão que daria continuidade a aliança. Com a Lei Cidade Limpa e outras medidas, Kassab chamou a atenção e ganhou as manchetes, ponto de partida para qualquer candidato que tem aspirações ambiciosas. Daí se credenciou. Mais ainda quando manteve o secretariado de Serra (predominamente tucano), o que amarrou parte do PSDB a ele. Quando a outra ala do partido quis lançar Alckmin, encontrou resistência do bloco “kassabista”. Daí o racha que favoreceu Kassab e deixou Alckmin, antes favorito, em uma situação de prejuízo político-eleitoral.

Serra se preparou para a saia-justa, já que certamente sabia da intenção do partido em lançar Alckmin, que foi derrotado nas eleições presidenciais em 2006 (vale lembrar que Alckmin e Serra disputaram a indicação do partido para disputar a Presidência, com a vitória do primeiro). O ex-governador, aliás, nunca escondeu que gostaria de ser o prefeito de São Paulo. Em 2000, na época ainda como vice de Mário Covas, se lançou candidato. Na época, o então governador chegou a prever: “o Geraldinho vai perder por minha causa”. Não deu outra. Ele ficou em terceiro, assim como em 2008. Covas fez tal previsão já que, na ocasião, não tinha uma popularidade que pudesse transmitir a Alckmin para ajudá-lo.

O racha entre PSDB e DEM se tornou cada vez mais evidente na medida em que a hora decisiva se aproximava. Serra tentou evitar prejuízos com a briga entre Alckmin e Kassab. Afinal, o atual governador quer ser eleito presidente em 2010. Quando se candidatou em 2002, não foi apoiado pelo então PFL (atual DEM), que preferiu Ciro Gomes (então no PPS, hoje no PSB). Serra tem consciência de que precisa tanto do DEM quanto do PMDB. Com os três unidos, seria praticamente impossível para o PT, o quarto integrante do grupo dos maiores partidos do Brasil, vencer a eleição, ainda mais sem Lula no páreo.

Com o apaziguamento do clima após o primeiro turno, o PSDB oficializou o apoio integral ao atual prefeito, o que facilita as coisas para Serra. Alckmin volta ao exercício da medicina (momentaneamente). Enquanto isso, o governador continua com suas articulações visando Brasília.

Escrito por Jonas Gonçalves

11/10/2008 às 03:13

Uma resposta

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  1. Hoje teremos o primeiro debate na TV Bandeirantes, não sei se a TV Clube de Ribeirão Preto irá cortar. Mas pela Sky, antena parabólica haverá transmissão. Tem o site http://www.bandnewsfm.com.br.

    Francisco José Gonçalves

    12/10/2008 em 16:16


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