Breves considerações
*Em visita ao 25º Salão do Automóvel de São Paulo, nesta quarta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não é necessário “entrar em uma crise psicológica” devido a atual crise econômica internacional.
>> É fato consumado que a crise afeta o mundo todo. Obviamente, o Brasil não é o epicentro do problema (são os EUA). Entretanto, o sinal de alerta é muito claro: quem gasta demais e depois não tem como pagar a conta, entra em crise profunda. Em geral, o brasileiro se deixa levar facilmente por uma onda de consumismo, como aconteceu diversas vezes. A título de exemplo, a euforia do Plano Cruzado, em 1986. Deu no que deu: hiperinflação e recessão. A economia precisa do consumo para se manter. Mas tudo que é demais faz mal. Os estadunidenses consumiram e compraram muito. Agora, pagam o preço. A dica para o mundo é: consumir sim, mas com responsabilidade.
*A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que cria o Fundo Soberano Brasileiro (FSB), que tem por objetivo auxiliar empresas em períodos difíceis da economia.
Foram cerca de 10 horas de votação. Os deputados de oposição querem fazer alterações, o que mantém o projeto em tramitação na Casa. Somente depois que todos os destaques forem aprovados será possível encaminhar o projeto para a avaliação do Senado. O FSB contaria com 0,5% do PIB (R$ 14,2 bilhões). O DEM e o PSDB criticam a iniciativa, alegando que o Brasil não teria condições de sustentar um fundo dessa natureza. De fato, seria muito arriscado manter uma poupança para emprestar dinheiro a empresas com crise de liquidez, que não conseguem obter mais crédito a fim de fazer exportações, por exemplo, no contexto atual de crise. O governo alega que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia realizar parte dos empréstimos. Nesse caso, o FSB seria algo redundante, pois o mais lógico seria repassar os recursos diretamente ao banco estatal, que tradicionalmente realiza empréstimos a empresas.
*Em um comercial de meia hora que já é considerado o mais caro da história dos EUA (US$ 6 milhões), o candidato democrata a presidência, Barack Obama, declarou que irá promover “a volta do sonho americano”.
>> A retórica do “american dream” é tudo o que os estadunidenses querem ouvir neste momento de turbulência e incertezas. Até algum tempo atrás, eles compravam casas com crédito muito fácil, iam às compras com voracidade e passavam o cartão de crédito sem se preocuparem com o amanhã. Quando este chegou, cobrou as despesas. Sem fundos, a população da maior potência global se vê em uma encruzilhada, ainda mais em um ano eleitoral. Obama aparece com a mensagem da esperança, enquanto McCain prega que teria mais experiência para lidar com a crise e devolver aos EUA o rumo perdido com o desastrado governo de seu companheiro republicano, George W. Bush. Todas as pesquisas indicam que Obama sairá vencedor do pleito de 4 de novembro. Mas McCain não entrega os pontos e ataca o oponente com virulência, acusando-o de quebrar a promessa de que só utilizaria o financiamento público para sua campanha.





