A nova despedida de Mino

Mino Carta é um jornalista de reputação inquestionável. Sua importância na história do jornalismo brasileiro é difícil de mensurar. Considero-o fundamental. Estudei sua trajetória e escrevi o meu Trabalho de Conclusão de Concurso (TCC) sobre o seu único fracasso na carreira, o Jornal da República (ver mais detalhes na seção “Livro” deste site).
Devido ao fato de valorizar a sua postura jornalística, sempre crítica diante da realidade política do Brasil, ressalto a nova despedida de seu blog, comunicada a seus leitores no www.blogdomino.com.br na última quarta-feira (4).
É um fato relevante, que merece uma análise além do que está escrito nas linhas vindas “direto da Olivetti”.
É compreensível que Mino Carta esteja cansado e desanimado com o Jornalismo, com o Brasil, com Lula, com a Política…
Entretanto, o que ainda não compreendi é… por quê abrir mão do blog mais uma vez? E também de seu espaço em CartaCapital?
Na primeira vez que encerrou seu blog, foi em solidariedade a Paulo Henrique Amorim, demitido do iG. Agora, alega “cansaço”. E também diz que quer escrever um livro sobre o Brasil.
Mino Carta não precisaria nem da revista, muito menos de um blog, para ser alguém capaz de analisar, como nenhum outro, a realidade do Brasil.
Porém, faz questão de se despedir de seus leitores, anunciando o que faz ou deixa de fazer. Por ética e respeito.
Mas, ao abandonar o “bom combate” que o Jornalismo proporciona a quem se dispõe a exercê-lo, desfalca de maneira sensível a linha de defesa que a sociedade civil precisa manter contra a desinformação e as mazelas decorrentes de uma brutal desigualdade, como o próprio Mino tão bem enumerou em seu texto derradeiro na Internet.
O que se espera é uma reconsideração. Apesar de já acumular 60 anos de atuação no Jornalismo, a serem completados no final deste ano, Mino Carta ainda pode contribuir de forma decisiva para o entendimento do panorama que muitos não conseguem decifrar.
Portanto, fica aqui a espera deste blogueiro para que, assim como houve uma nova despedida, haja um novo retorno. Os bons combatentes não desistem.






Sem querer comparar a biografia dos dois, mas a despedida do Mino Carta me lembrou aquela frase do Arbex sobre não agüentar mais o jornalismo depois de tanto tempo na “fábrica de lingüiças”… Chato é ver que nem a própria fábrica cibernética o satisfaz mais…
Diego Viana
22/02/2009 em 21:38