Em defesa do Jornalismo
Nesta quarta-feira, dia 1° de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá na pauta de votação um importante e controverso tema: a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.
É sabido que, no Brasil, muitos não fizeram a faculdade de Jornalismo, mas possuem o MTb (licença do Ministério do Trabalho para exercer o ofício). Seja por “tempo de serviço”, “reconhecimento pela atuação destacada” ou simplesmente por pura picaretagem, esses jornalistas possuem um registro precário, já que não possuem a devida formação superior.
Entretanto, no Brasil, como a minoria possui diploma, criou-se uma cultura de desvalorizar o documento em algumas profissões, classificando-o como “desnecessário”. Na área da Comunicação, especialmente no Jornalismo, isso se tornou prática comum. Faculdades são consideradas “ruins”, o próprio ofício é encarado como meramente técnico ou ainda algo que poderia ser aprendido em uma espécie de pós-graduação, como complemento de qualquer outro curso na área das Ciências Humanas.
Todos esses são argumentos simplistas, reducionistas e só servem aos interesses de quem deseja ver a profissão enfraquecida. Os jornalistas já não vivem no melhor dos contextos profissionais (afinal, o mercado é bastante instável, sujeito a oscilações bruscas e vulnerabilidade financeira das empresas, que cortam empregos ao menor sinal de crise).
A imposição do diploma tem três prerrogativas: a primeira, evidente, é criar o que se chama de “reserva de mercado”, ou seja, restringir o acesso a profissão àqueles que possuem a preparação técnica e acadêmica para exercê-la. Nada de novo até esse ponto, já que se trata de expediente utilizado por outras profissões, como a Medicina e o Direito.
O problema é o fato de que algumas empresas, notoriamente a Folha de S.Paulo, são contra a reserva, por considerá-la restritiva. A principal argumentação contra a obrigatoriedade do diploma, aliás, seria uma restrição a “liberdade de expressão”, pois quem não tem diploma, não teria direito a escrever em jornal, por exemplo. Pura falácia. Desde que sejam identificados como articulistas ou colaboradores, não há problema algum que qualquer pessoa possa escrever um artigo, por exemplo. Mas esta mesma pessoa, que não é uma jornalista, não teria como escrever uma reportagem, por exemplo, o que é correto, pois se trata de algo completamente diferente de um texto opinativo (exceto em algumas publicações, onde a opinião da publicação contamina o texto, tornando-o antiético e antijornalístico).
A segunda prerrogativa é a busca por uma melhora contínua dos profissionais, tornando-os mais bem preparados para dar à sociedade civil o direito a informação correta e de qualidade. É óbvio que apenas a faculdade não basta para dar todos os subsídios necessários para que um jornalista exerça corretamente a profissão. Entretanto, é um componente indispensável, assim como em outros segmentos.
A terceira e última é a de estimular a formação superior. Em um país com sérios problemas na estrutura educacional, é de se admirar que tentem evitar que o diploma seja uma exigência. É totalmente contraditório e incoerente.
Por isso, aos que dizem que as faculdades são “ruins”, deve-se então tentar melhorar os cursos, como aliás já está sendo feito, em um trabalho que envolve o Ministério da Educação e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Esta, é importante frisar, lidera, como entidade representativa máxima da categoria em âmbito nacional, uma campanha junto à sociedade para que haja o reconhecimento da necessidade de se manter a obrigatoriedade do diploma, incluindo uma mobilização que irá culminar em ato público defronte ao STF no dia 1°. Esta, provavelmente, será uma das súmulas mais importantes da história da mais alta instância jurídica do Brasil.
Sou a favor da obrigatoriedade, mas não como uma medida que obrigue as pessoas a se submeter a uma faculdade apenas por uma exigência burocrática. As pessoas devem fazê-la para buscar o conhecimento, o que é algo extremamente positivo e necessário em qualquer lugar do mundo.
Na Faculdade Cásper Líbero, fiz um curso de quatro anos que me ensinou, entre outras coisas, técnicas de reportagem, teoria e história da Comunicação Social no Brasil e em outros países, Economia, Legislação e Prática Judiciária, Métodos e Técnicas de Pesquisa, Língua Portuguesa, Antropologia, Sociologia, História do Brasil, entre tantos outros conhecimentos e leituras indispensáveis para o fazer jornalístico.
Quem acredita que o Jornalismo se resume a entrevistar e escrever textos, está completamente enganado. Não se trata de uma profissão puramente técnica, que se pode aprender com um breve curso em alguma das grandes empresas de comunicação. Isso é ilusório. O Jornalismo, especialmente na atualidade, é muito mais abrangente e importante do que imaginam os reducionistas.
Para saber mais sobre a campanha da Fenaj, clique na imagem acima e também veja a que está abaixo.






