Blog do Jonas Gonçalves

Jornalista MTb 48.872/SP

Archive for Junho 2009

Lula lá

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A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é abordada na reportagem que fiz para a terceira edição da revista myWAVE. Acessem a edição pelo site da revista (www.mywave.com.br) ou vejam somente a matéria aqui mesmo, clicando no link ”Projetos”.

Escrito por Jonas Gonçalves

24/06/2009 em 23:53

Cai o diploma

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Por oito votos a um, a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício do Jornalismo foi extinta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, não é mais necessário ter a formação específica, dando a qualquer um a possibilidade de ser jornalista.

Uma conquista de 40 anos foi derrubada devido ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Prevaleceu o argumento de que a exigência do diploma, que foi instituída em 1969, seria “inconstitucional, pois seria um obstáculo a liberdade de expressão”.

O mais curioso é o fato de que somente com relação ao Jornalismo houve esse tipo de discussão. O interesse das empresas de comunicação em ter um gasto cada vez menor com mão-de-obra, podendo contratar até mesmo quem não tenha nível superior (e, consequentemente, podendo pagar menores salários), foi decisivo. A retórica dos meios é a de comemorar a decisão.

Para os que são favoráveis à decisão, seria “contemporâneo” ou “moderno” pensar que não há necessidade, nem tampouco sentido, em exigir uma formação superior para qualquer atividade. Cada um seria livre para escolher se quer fazer faculdade ou não. Dessa forma, podemos dizer que qualquer um “com talento” poderia se tornar o que bem entender. Para algumas atividades, como as artísticas, isso pode ser levado em consideração. Porém, o Jornalismo não se faz apenas com “talento” ou “dom”.

Por essa argumentação, se me julgo “talentoso” para ser jornalista, então nem deveria ter “perdido tempo” cursando uma faculdade de quatro anos. Afinal, para quê, se não é obrigatório? Mas o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que votou contra a obrigatoriedade, não nega que é melhor cursar uma faculdade. Ele mesmo deve ter cursado Direito para hoje ter o cargo máximo do Poder Judiciário. Afinal, ele foi obrigado a isso, já que para exercer qualquer atividade no Direito, é necessário ter o diploma.

Mas, “o caso do Jornalismo é diferente”, argumentam, dizendo que “trata-se de uma atividade intelectual, desprovida de especificidade”. Se assim fosse, não existiriam “técnicas de reportagem”, que são aprendidas na faculdade, só para ficar em apenas um exemplo.

Os sindicatos e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) prometem continuar na luta pela regulamentação da profissão. Porém, pelo menos por ora, a batalha está perdida e só resta esperar pelos desdobramentos dessa decisão.

Escrito por Jonas Gonçalves

18/06/2009 em 01:37

As eleições passam, mas a política continua

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Os processos eleitorais são os dínamos da política. Só se discute o tema com intensidade quando há alguma disputa. Quando não há, como em 2009, inicia-se um hiato, que é uma tortura tanto para quem está no poder quanto para quem está fora. Os partidos vivem da militância. Em anos como 2009, a movimentação esfria, as ruas não são ocupadas por correligionários, não há debate. A frieza e a indiferença acabam criando o espaço para o surgimento das articulações de bastidores.

É o que ocorre neste momento, quando já se pensa intensamente nas eleições de 2010. Os institutos de pesquisa, um após o outro, divulgam levantamentos para “esquentar” o noticiário político. Com a popularidade do presidente Lula em alta (assunto da segunda reportagem que fiz para a revista myWAVE), resta aos que estão na oposição incendiar o debate sucessório.

Primeiramente, é importante ressaltar que a tentativa de se permitir que Lula concorra a um terceiro mandato (ou dê a qualquer outro a chance de fazê-lo no futuro) é um erro. Até mesmo o próprio Lula não quer se expor ao desgaste de defender a tese, por isso a rechaça com veemência quando questionado sobre o assunto. Até mesmo o relator do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar a legislação, o deputado federal José Genoino, é enfático na negativa e, mais ainda, defende com unhas e dentes a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A mesma Dilma, que realiza tratamento contra um câncer, não quer se adiantar como candidata. Deixa o trabalho de divulgação com Lula enquanto cuida da própria saúde, pois sabe que terá muito trabalho como postulante à Presidência da República. Os petistas não admitem, mas temem que Dilma não tenha força suficiente para derrotar o tucano José Serra que, apesar das recentes pesquisas, ainda mantém uma confortável liderança na preferência do eleitorado.

O que os jornalistas da área ainda não discutem é a possibilidade do surgimento de uma terceira via nas eleições. Anteriormente, falou-se muito na possibilidade de outro tucano, Aécio Neves, sair do PSDB e ir para o PMDB, a fim de ter a chance de ser candidato, mesmo com José Serra na disputa. Mas, essa é uma possibilidade que se torna a cada dia mais remota. Agora, a alternativa mais comentada é a da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB). Não seria uma candidatura de oposição, já que Ciro é aliado de Lula, tendo sido até ministro de seu governo na pasta da Integração Nacional. A estratégia é construir uma candidatura vinda da base aliada do governo forte o suficiente não para vencer, mas sim para abalar a candidatura Serra.

O governador de São Paulo é, historicamente, um nome forte para a Presidência. Mesmo que não saia candidato, acaba sendo um importante elemento no jogo sucessório. Como se sabe há muito tempo da obsessão de Serra em se tornar presidente, e também de sua predominância dentro do PSDB, sabe-se que ele naturalmente será o candidato do partido. Mas, uma coisa é disputar contra Dilma em um clima mais frio de disputa. Outra é enfrentar o rival Ciro Gomes. Eles já se enfrentaram em 2002. E Serra foi o responsável por tirar Ciro de um segundo turno praticamente certo contra Lula, baseado em uma campanha que mostrava o destempero emocional do ex-governador do Ceará, que caiu no jogo e não soube reagir.

A situação será bem diferente em 2010, pois sete anos atrás Ciro era um “outsider” na disputa entre PT e PSDB pelo poder. No ano que vem, seria mais um aliado de Lula na disputa, em condições de complicar e se vingar de Serra, pelo menos fazendo com que ele perca de Dilma.

Segundo uma pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Serra teria 38%, ante 18% de Dilma e 12% de Ciro. Mas o cenário ainda é incerto, pois na resposta “votaria com certeza em”, os índices ficam assim: Serra com 27%, Dilma com 13% e Ciro com 10%. O dado mais interessante, no entanto, é a resposta “poderia votar nele”: Serra e Ciro ficam empatados em 38%, enquanto Heloísa Helena (PSOL) fica com 27%, ultrapassando Dilma Rousseff, que teria 26%.

Portanto, não há ainda um cenário consolidado. O eleitor apenas considera hipóteses, estimulado pelas alternativas apresentadas pelos institutos de pesquisa. Ciro tem um grande potencial de crescimento, mas Serra já se mostra bastante consolidado, enquanto Dilma experimenta um crescimento, ainda avaliado como resultante de sua maciça exposição na mídia.

Outros desdobramentos ainda virão, o que mostra a dinâmica permanente da política.

Terceiro mandato

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A seção “Artigos” ganha um novo texto que, desta vez, aborda o debate sobre o projeto que pode dar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chance de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. O advogado Alberto José Marchi Macedo, especialista em Direito Eleitoral, faz críticas à tentativa de mudar a Constituição.

Em breve, irei fazer considerações a respeito do tema. Neste momento, posso adiantar que, no atual contexto, a ideia teria respaldo popular, caso fosse promovido um plebiscito (ou referendo). Entretanto, politicamente, pode gerar um continuísmo que prejudicaria um dos pilares da democracia, a alternância de poder.

Escrito por Jonas Gonçalves

02/06/2009 em 01:52