Para Felipe Massa, o GP da Alemanha, disputado em Hockenheim, poderia significar a redenção definitiva na temporada 2010. Poderia, não fosse a volta, depois de oito anos, do fantasma do “jogo de equipe”, que insiste em assombrar a Ferrari e depor contra a imagem da categoria. Fernando Alonso ganhou a vitória de presente por ter mais pontos que Massa na classificação. Não teve que ultrapassá-lo, mesmo estando mais rápido, como disse a equipe: “Felipe, o Fernando está mais rápido do que você. Você entendeu a mensagem?”. Ou seja, na 49ª volta, Massa foi obrigado a ceder a liderança conquistada logo na largada por resistir aos ataques do espanhol, que chegou a classificar a defesa como “ridícula”.
Não inicio o post sobre Hockenheim dessa forma por ser um piloto brasileiro mais uma vez envolvido nesse tipo de ocorrência. Se fosse qualquer outro, falaria do mesmo jeito. Não sou “pachequista”, termo consagrado por veteranos do jornalismo. Alguns defendem a manobra de mandar um piloto deixar o companheiro de equipe passar, visando um esforço coletivo na luta pelo título. Entretanto, qualquer tentativa externa de mudar o resultado de uma corrida é proibida pelo regulamento desde o fatídico GP da Áustria de 2002, quando Rubens Barrichello (então na mesma Ferrari) foi obrigado a deixar Michael Schumacher passar. Atitude covarde que marcou, de forma definitiva, a imagem do brasileiro como um piloto “cordeirinho” e incapaz de ganhar títulos.
Ao contrário do que as vitórias no GP Brasil em 2006 e 2008 fizeram crer, Massa está repetindo o mesmo caminho de Barrichello na Ferrari. Não consegue superar o estigma de “segundo piloto”, sempre à sombra de outro. Primeiro, era Schumacher. Depois, Kimi Raikkonen. Agora, é Alonso.
A pergunta é: até quando?
Fora o incidente (pelo qual a FIA multou a Ferrari em US$ 100 mil e irá julgá-la, colocando o resultado sub júdice), há muito pouco a destacar do GP, salvo a desastrada largada do pole Sebastian Vettel, que permitiu a ascensão das Ferraris aos primeiros postos (ele acabou em terceiro), e o fato de que, tendo chegado em quarto, Lewis Hamilton garantiu a permanência na liderança pelo menos até a próxima corrida, que será disputada na Hungria, no dia 1º de agosto.
