O circuito de Hungaroring, em Budapeste (Hungria), é um dos mais difíceis da Fórmula 1. Ultrapassagens são raras. Para vencer, a pole position é fundamental, mas não é garantia total de vitória. Que o diga Sebastian Vettel. O alemão da Red Bull até que sustentou a primeira colocação na largada, mas com a entrada do safety car (devido a presença na pista de um pedaço da asa dianteira de Vitantonio Liuzzi, da Force India), foi vítima de uma distração que o fez perder a liderança para o companheiro de equipe Mark Webber, o único a permanecer na pista enquanto outros faziam pit stops. Foram tantos que muitas trapalhadas ocorreram. A Renault liberou Robert Kubica cedo demais e o polonês bateu no alemão Adrian Sutil, da Force India. A Mercedes também aprontou com um de seus pilotos, Nico Rosberg. A roda traseira direita não foi presa corretamente e se soltou, forçando o abandono do alemão.
Na 18ª volta, o safety car saiu da pista e Vettel, em segundo, não percebeu o fato, deixando que Webber abrisse mais de dez carros de distância. Punido pela direção da prova com um “drive through” (passar por dez segundos em baixa velocidade pelo pit lane), o alemão só teve como alternativa se lamentar. Perdeu a segunda posição para Fernando Alonso, da Ferrari. O terceiro lugar acabou não sendo tão ruim, dadas as circunstâncias.
A estratégia de Webber de permanecer com pneus supermacios até o desgaste total deu certo, pois ele conseguiu abrir vantagem para fazer um pit stop na 41ª volta sem perder o primeiro posto para Alonso. E aí foi só comemorar a quarta vitória no ano (sexta na carreira) e voltar à liderança do campeonato, com 161 pontos. Lewis Hamilton, da McLaren, amargou uma quebra na caixa de câmbio na volta 24 e ficou com 157. Vettel tem 151, Jenson Button (McLaren) está com 147 e Alonso, 141. Estes são os postulantes ao título. De Felipe Massa, com 97, para baixo, só figuram os coadjuvantes da temporada. O brasileiro, em má fase, terminou em quarto na Hungria.
Porém, seu compatriota Rubens Barrichello, da Williams, teve um momento de glória, uma das ultrapassagens mais emocionantes que já se viu na Fórmula 1: na 66ª volta, depois de ficar quatro voltas colado em Michael Schumacher, da Mercedes, seu velho desafeto, Barrichello conseguiu passá-lo, mas não sem ser quase espremido no muro de concreto existente em uma reta do circuito. A manobra antidesportiva custou ao heptacampeão dez posições no grid da próxima corrida, a ser disputada em Spa-Francorchamps, na Bélgica, no dia 29 de agosto, uma das melhores pistas da categoria.
