A Lotus Racing surgiu em 2010 como a herdeira do legado de Albert Colin Bruce Chapman (1928-1982), uma das maiores lendas do automobilismo britânico e mundial. Sua criação, o ”Team Lotus”, como era denominado, acabou fechando suas portas em 1994 devido a graves problemas financeiros. Dezesseis anos depois, o empresário malaio Tony Fernandes, dono da holding 1Malaysia, obteve a autorização da empresa também malaia Proton, atual dona do Grupo Lotus (a responsável pela Lotus Cars), para usar o nome. Com motores Cosworth e os pilotos Jarno Trulli e Heikki Kovalainen, Fernandes utilizou esta temporada como uma espécie de “laboratório”, para atrair patrocinadores, formar um time sólido e, assim, planejar os próximos passos.
Resta apenas o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, mas os planos para 2011 já foram anunciados. A primeira providência foi a troca de motor. A Lotus passará a ter propulsores Renault, os mesmos que estão na própria equipe da montadora e também na campeã de construtores Red Bull. E, por falar nela, por meio de um acordo, os “rubrotaurinos”, como também são conhecidos, fornecerão a tecnologia necessária para câmbio e sistema hidráulico. Na sede da Lotus, na Inglaterra, será construído um túnel de vento, fundamental para testes realmente eficazes. E as novidades não param por aí.
O nome “Team Lotus” é objeto de briga judicial entre Proton e Tony Fernandes. Ele alega que adquiriu junto ao detentor da famosa marca, David Hunt, o direito de utilizá-la. Porém, a Proton ameaça romper a parceria com a Lotus Racing e, diz a “Rádio Paddock” (rede de boatos da Fórmula 1), estaria interessada em comprar a escuderia Renault, que pertence atualmente a um fundo de investimentos do Principado de Luxemburgo, o Genii Capital. Entretanto, o dono da 1Malaysia acredita que esses problemas serão contornados por meio de um acordo que permitirá o retorno do “Team Lotus”.
Para completar, já é dado como certo que o brasileiro Bruno Senna e seu patrocinador principal, a Embratel, farão parte da Lotus a partir do ano que vem. Com a aposentadoria de Jarno Trulli, abriu-se uma vaga. O sobrinho de Ayrton Senna terá a chance pela qual tanto lutou para correr em um carro ao menos razoável, já que em sua estreia na Fórmula 1, neste ano, foi obrigado a encarar o terrível carro da Hispania.
Mas, engana-se que o sentimento de nostalgia fique restrito à presença de um Senna correndo novamente pelo “Team Lotus” com motor Renault, como nos anos 1980. A pintura do carro também seguirá o estilo daquela época. Para 2010, foi escolhido o uso da primeira pintura do “Team Lotus”, o amarelo ouro com o chamado “british green” (“verde britânico”). Em 2011, volta a combinação preto e dourado, para a alegria de milhões de fãs em todo o mundo. E o melhor: a escolha do design passará pelo crivo desses aficionados.
Welcome back, Team Lotus.


