Duas Lotus

Foi confirmada oficialmente a compra de parte das ações da escuderia Renault pelo Grupo Lotus (dono da Lotus Cars), pertencente à montadora malaia Proton. Dessa forma, o time será batizado como “Lotus Renault GP”, ainda tendo como acionista majoritário o grupo de investimentos Genii, de Luxemburgo.

Com isso, surge um grande paradoxo: a montadora Lotus terá uma equipe própria, em parceria com a Renault. Mas, e a Lotus Racing, do empresário malaio Tony Fernandes? Ele até conseguiu o lendário nome “Team Lotus”, mantido durante décadas por uma das equipes mais vencedoras da história da Fórmula 1. Também anunciou que iria usar o preto e dourado como pintura em 2011, sucedendo o verde e amarelo deste ano. Foi a equipe que obteve uma licença da Proton para usar o nome Lotus. Mas agora, a Proton resolveu que o Grupo Lotus é quem deve deter a marca. Há uma briga na Justiça pelo uso dela. Entretanto, ao mesmo tempo, o diretor executivo do Grupo Lotus, Dany Bahar, diz que não haveria problemas com quatro carros chamados Lotus no grid.

Em contrapartida, é forte o rumor de que Tony Fernandes perdeu a queda-de-braço e irá mudar o nome de sua equipe para “’1Malaysia” (nome da sua holding), desvinculando-se da Lotus e deixando como única representante a recém-criada Lotus Renault GP, que até já adotou o preto e dourado (a Total também poderia embarcar nessa onda, pois o vermelho e branco de seu logotipo destoa completamente e compromete o belíssimo design).

Por um certo “saudosismo oitentista”, sempre fui fã da Lotus histórica, o Team Lotus de Albert Colin Bruce Chapman, muito também por ter sido o carro de Ayrton Senna, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell e outras lendas do automobilismo. Quando a vi, entre o finzinho dos anos 80 (com aquela pintura amarela dos cigarros Camel) e o início da década de 90, ela já era uma equipe em franca decadência. Depois, durante anos, fiquei torcendo pela volta, pois acredito que ela tenha relevância histórica, assim como Ferrari, McLaren e Williams. Entretanto, somente 16 anos depois, o retorno foi possível, ainda que por meio de uma licença para uso do nome “Lotus”. Tudo caminhava para que a nova equipe evoluísse em 2011, com motores Renault. Mas, com o surgimento da Lotus Renault GP, acredito que a alternativa será adotar mesmo o nome “1Malaysia” ou qualquer outro, pois comercialmente falando, ficará muito estranho ter duas Lotus, ainda mais se houver disparidade na performance dos carros. Contudo, se isso acontecer, será apenas mais um fato inusitado que entrará para a riquíssima história da Fórmula 1.

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