O que fazer?

Nos últimos dez anos, o torcedor do Palmeiras experimentou uma série de dissabores. Derrotas doídas, muitas vezes para times inexpressivos, fizeram com que muitos questionassem se valeria a pena continuar acreditando. Todo ano, é o mesmo discurso: “agora vai ser diferente!”… daí começa um campeonato, a torcida acompanha o time, se empolga e, no momento decisivo, quando mais se espera do time, mais uma desgraça ocorre.

Como palmeirense desde criancinha, como diz a expressão popular, já tive muitas alegrias. Costumo me lembrar delas para afastar um pouco a tristeza que toma conta após uma derrota como a que o Palmeiras amargou na última quinta-feira, ao perder de inacreditáveis 6 (SEIS!) a 0 (isso mesmo, ZERO!) para o Coritiba, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR). Entretanto, como o assunto é decepção, falarei sobre algumas que considero mais duras do que esta última e que demonstram o quanto é possível sobreviver às desgraças do futebol:

1) Desclassificação para o ASA de Arapiraca (AL) na Copa do Brasil de 2002 - O time era comandado por Vanderlei Luxemburgo, que estava em sua terceira passagem. Sem a Parmalat, no entanto, o elenco era bem inferior. A consequência foi a derrota por 1 a 0 em Arapiraca (AL) e, mesmo com a vitória por 2 a 1 no Palestra, foi desclassificado pelo gol tomado em casa.

2) Rebaixamento para a Série B no Brasileiro de 2002 - O ano de 2002 foi o pior da história do Palmeiras. Depois da vexatória eliminação na Copa do Brasil, o time foi abandonado por Luxemburgo logo no início do Campeonato Brasileiro. Comandado por outros técnicos, o último deles Levir Culpi, o Palmeiras não se encontrou no torneio, que tinha apenas um turno na primeira fase, e acabou caindo para a Segunda Divisão, perdendo para o Vitória (BA), em Salvador.

3) Goleada de 7 x 2 para o Vitória em pleno Palestra Itália na Copa do Brasil de 2003 - O Palmeiras segue a máxima do “tudo que está ruim, pode piorar”. O mesmo Vitória que decretou o rebaixamento no Brasileiro de 2002 foi o responsável por um terrível vexame, talvez o maior da história do Palestra Itália, com direito a um furo horroroso de Marcos.

Outros poderiam lembrar do Brasileiro de 2009 ou da Copa Sul-Americana de 2010. A questão é: o que fazer para não morrer mais na praia?

Quando vencia campeonatos na chamada “Era Parmalat”, o Palmeiras se destacava dos demais justamente pelo critério com que escolhia os jogadores para montar seus elencos e também a preparação psicológica para os momentos decisivos. Era um time que jogava com técnica apurada e tinha frieza, pois reunia jogadores experientes para formar uma espinha dorsal forte. Isso é uma das coisas que mais tem faltado. Seria necessário buscar esses jogadores mais calejados, com títulos no currículo e, se possível, alguma identificação com o clube, que pudessem agregar valor aos jovens valores que sobem da base ou que vêm de outros lugares. Não que seja fácil encontrar desses, mas é necessário pelo menos tentar. Contratar atletas sem comprometimento só aumentará a lista de desilusões. Quem paga a conta, no final, é o torcedor. Dirigentes, técnicos e jogadores vêm e vão. Mas, e os apaixonados? Esses continuam amando, contra tudo e todos, doa o quanto doer.

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