O agora ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, perdeu não apenas o emprego, mas principalmente a reputação e o status político que lhe conferia o favoritismo nas próximas eleições presidenciais de seu país. O atual presidente, Nicolas Sarkozy, deve estar muito agradecido à camareira do hotel de Nova Iorque que acusou Strauss-Kahn de tentativa de estupro. Ele pagou US$ 1 milhão de fiança, mas por mais que tenha dinheiro, não conseguirá recuperar a imagem destruída resultante do escândalo. Uma estupidez imperdoável.
O caso deve servir de exemplo para aqueles que pensam em se candidatar a algum cargo público. A vida privada influencia diretamente na forma como a pessoa é vista pelo eleitorado. Por mais que isso possa soar hipócrita (e, de fato, o é na prática), não se pode esquecer de certas regras que permeiam a vida em sociedade, ainda mais em uma realidade totalmente dominada pela repercussão midiática (incluindo, em especial, o impacto nas redes sociais).
Strauss-Kahn ainda vai sofrer muito com um fenômeno chamado “canibalização do cadáver”, uma definição criada pelo falecido jornalista Paulo Francis na matéria que escreveu para a revista “Veja” sobre a morte do ex-beatle John Lennon (coincidentemente, na mesma Nova Iorque), em dezembro de 1980. Após a morte, o músico inglês foi intensamente lembrado, suas músicas foram tocadas, seus discos mais do que nunca vendidos e, é claro, sua vida analisada nos mínimos detalhes. O francês não foi morto fisicamente, mas sua figura pública já está no cemitério das reputações perdidas e será canibalizada até (diferentemente de Lennon) sumir na poeira do tempo.