Não fosse o fato de ser um magnata das comunicações, o australiano naturalizado estadunidense Keith Rupert Murdoch, de 80 anos, já teria sucumbido a tantas pressões do governo britânico contra a sua holding, a News Corporation, pelo escândalo dos grampos telefônicos implantados pelo jornal “News of the World”. A publicação não resistiu às investigações da Scotland Yard e foi extinta.
Situação semelhante envolvendo o jornal já havia ocorrido em 2007, quando o então editor Andy Coulson renunciou ao cargo após as denúncias de escutas clandestinas implantadas em telefones de membros da família real britânica.
O jornalismo praticado sem escrúpulos por publicações sensacionalistas, como era o caso do finado tabloide (termo erroneamente adotado como sinônimo de jornais sem compromisso com a ética), não é tolerado em países sérios. Mesmo sendo parte de um conglomerado com ramificações em diversas partes do mundo, o “News of the World” foi um exemplo de que o “vale-tudo” pela notícia, ainda mais quando se trata de pessoas envolvidas em polêmicas, não é uma prática adequada. Mesmo quando há interesse público em determinado fato, o Jornalismo não pode invadir a privacidade de quem não queira falar. Isso é trabalho para policiais, devidamente amparados por ordens judiciais. É o que prevê a legislação na Inglaterra e na maior parte do mundo.
Durante o depoimento que prestou no Comitê de Mídia do Parlamento inglês, Murdoch disse: “Está claro que fui enganado. Coisas estavam acontecendo e eu não sabia”. Ele também foi enfático ao dizer que “o News of the World representa menos de 1% de toda a minha empresa e tenho milhares de pessoas abaixo do meu cargo”, justificou-se.
Em primeiro lugar: se fosse tão bom administrador, Murdoch teria pessoas especialmente destacadas (entre as milhares abaixo de seu cargo) para informar-lhe sobre o que acontece com cada uma de suas empresas. Em segundo lugar (e não menos importante): o fato de o jornal representar tão pouco em termos de importância e faturamento dentro de seu conglomerado não o exime de ter que seguir a legislação e a ética jornalística.
Juntamente com o filho, James, presidente-executivo de operações internacionais da News Corporation, Murdoch saiu menor do que quando entrou para depor. Sua imagem está desgastada e não será nenhum absurdo se o título deste post vier a se concretizar algum dia. Afinal de contas, nenhum império, por maior e mais poderoso que venha a ser, dura para sempre.