Sobre a mudança de apresentadora do “JN”

O “Jornal Nacional”, principal noticiário da TV aberta brasileira, tornou-se o centro das atenções nos últimos dias pela troca de apresentadoras: depois de 14 anos, Fátima Bernardes deixou de ancorar o telejornal ao lado do marido, William Bonner, tendo como substituta Patrícia Poeta, que há quatro anos vinha apresentando o dominical “Fantástico” com Zeca Camargo (no lugar de Patrícia, entra Renata Ceribelli, ocasional ocupante do posto).

Em sua primeira noite como dona da bancada mais cobiçada do Jornalismo no Brasil, Patrícia se saiu razoavelmente bem. É óbvio que ainda precisará de um tempo para consolidar o seu estilo, que será diferente da antecessora. Mas, já demonstra ter o potencial necessário (o que já vinha mostrando no “Fantástico”) pela experiência que acumulou na carreira, superando o estigma de ser esposa de Amauri Soares, diretor da Globo Internacional, o que teria lhe rendido a ascensão na emissora, segundo os seus críticos.

Muito se falou a respeito de uma teórica ausência de importância da troca. Porém, nunca é demais lembrar que o “JN” está no ar desde 1969 e, ao longo de mais de quatro décadas, sempre se manteve entre os principais programas da televisão no País. Portanto, a mudança de apresentadores é sempre um evento de considerável importância, ainda que a exibição de uma matéria de 15 minutos, em um bloco do jornal totalmente voltado para a mudança, tenha sido um exagero desnecessário, dando margem para que se tachasse o fato como uma “novela”. Mesmo assim, não há motivos para desqualificar a escolha, ainda mais levando-se em conta que Fátima será apresentadora de um programa próprio a partir de abril de 2012, possivelmente nos moldes do extinto “The Oprah Winfrey Show”, um dos mais populares na história da TV dos EUA.

É bem verdade que a importância do “Jornal Nacional” já não é mais a mesma, ainda mais com uma realidade bem diferente daquela de quando Fátima e Bonner começaram a apresentar o jornal, há cerca de 15 anos, substituindo a Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Naquele momento, a emissora desejava uma renovação do “JN”, a fim de que fosse possível torná-lo mais dinâmico e alinhado com as mais novas tendências do telejornalismo mundial. De certa forma, agora ocorre o mesmo, pois Patrícia transmite uma leveza mais acentuada, contrastando com a postura formal de Fátima.

Toda mudança requer tempo para ser analisada. Com Bonner, não é possível afirmar que houve uma alteração tão profunda, mas é possível especular que, dentro de algum tempo, ele também poderá dar lugar a outro apresentador, o que se configuraria em um natural processo de adaptação aos novos tempos.

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