Blog do Jonas Gonçalves

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As eleições passam, mas a política continua

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Os processos eleitorais são os dínamos da política. Só se discute o tema com intensidade quando há alguma disputa. Quando não há, como em 2009, inicia-se um hiato, que é uma tortura tanto para quem está no poder quanto para quem está fora. Os partidos vivem da militância. Em anos como 2009, a movimentação esfria, as ruas não são ocupadas por correligionários, não há debate. A frieza e a indiferença acabam criando o espaço para o surgimento das articulações de bastidores.

É o que ocorre neste momento, quando já se pensa intensamente nas eleições de 2010. Os institutos de pesquisa, um após o outro, divulgam levantamentos para “esquentar” o noticiário político. Com a popularidade do presidente Lula em alta (assunto da segunda reportagem que fiz para a revista myWAVE), resta aos que estão na oposição incendiar o debate sucessório.

Primeiramente, é importante ressaltar que a tentativa de se permitir que Lula concorra a um terceiro mandato (ou dê a qualquer outro a chance de fazê-lo no futuro) é um erro. Até mesmo o próprio Lula não quer se expor ao desgaste de defender a tese, por isso a rechaça com veemência quando questionado sobre o assunto. Até mesmo o relator do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar a legislação, o deputado federal José Genoino, é enfático na negativa e, mais ainda, defende com unhas e dentes a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A mesma Dilma, que realiza tratamento contra um câncer, não quer se adiantar como candidata. Deixa o trabalho de divulgação com Lula enquanto cuida da própria saúde, pois sabe que terá muito trabalho como postulante à Presidência da República. Os petistas não admitem, mas temem que Dilma não tenha força suficiente para derrotar o tucano José Serra que, apesar das recentes pesquisas, ainda mantém uma confortável liderança na preferência do eleitorado.

O que os jornalistas da área ainda não discutem é a possibilidade do surgimento de uma terceira via nas eleições. Anteriormente, falou-se muito na possibilidade de outro tucano, Aécio Neves, sair do PSDB e ir para o PMDB, a fim de ter a chance de ser candidato, mesmo com José Serra na disputa. Mas, essa é uma possibilidade que se torna a cada dia mais remota. Agora, a alternativa mais comentada é a da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB). Não seria uma candidatura de oposição, já que Ciro é aliado de Lula, tendo sido até ministro de seu governo na pasta da Integração Nacional. A estratégia é construir uma candidatura vinda da base aliada do governo forte o suficiente não para vencer, mas sim para abalar a candidatura Serra.

O governador de São Paulo é, historicamente, um nome forte para a Presidência. Mesmo que não saia candidato, acaba sendo um importante elemento no jogo sucessório. Como se sabe há muito tempo da obsessão de Serra em se tornar presidente, e também de sua predominância dentro do PSDB, sabe-se que ele naturalmente será o candidato do partido. Mas, uma coisa é disputar contra Dilma em um clima mais frio de disputa. Outra é enfrentar o rival Ciro Gomes. Eles já se enfrentaram em 2002. E Serra foi o responsável por tirar Ciro de um segundo turno praticamente certo contra Lula, baseado em uma campanha que mostrava o destempero emocional do ex-governador do Ceará, que caiu no jogo e não soube reagir.

A situação será bem diferente em 2010, pois sete anos atrás Ciro era um “outsider” na disputa entre PT e PSDB pelo poder. No ano que vem, seria mais um aliado de Lula na disputa, em condições de complicar e se vingar de Serra, pelo menos fazendo com que ele perca de Dilma.

Segundo uma pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Serra teria 38%, ante 18% de Dilma e 12% de Ciro. Mas o cenário ainda é incerto, pois na resposta “votaria com certeza em”, os índices ficam assim: Serra com 27%, Dilma com 13% e Ciro com 10%. O dado mais interessante, no entanto, é a resposta “poderia votar nele”: Serra e Ciro ficam empatados em 38%, enquanto Heloísa Helena (PSOL) fica com 27%, ultrapassando Dilma Rousseff, que teria 26%.

Portanto, não há ainda um cenário consolidado. O eleitor apenas considera hipóteses, estimulado pelas alternativas apresentadas pelos institutos de pesquisa. Ciro tem um grande potencial de crescimento, mas Serra já se mostra bastante consolidado, enquanto Dilma experimenta um crescimento, ainda avaliado como resultante de sua maciça exposição na mídia.

Outros desdobramentos ainda virão, o que mostra a dinâmica permanente da política.

Artigo de estréia

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O primeiro texto da recém-criada seção “Artigos” fala sobre o atual projeto de Reforma Tributária, em tramitação no Congresso Nacional. O autor é José Roberto Barreto Trindade, Secretário de Estado da Fazenda do Pará e presidente do Fórum Fiscal dos Estados Brasileiros.

Ajuda para Santa Catarina

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Este blog abre espaço para divulgar a imagem que corre na Internet, entre os blogs, a fim de ajudar os flagelados pelas enchentes de Santa Catarina.

Se você tiver um site, ajude nesta divulgação. Se tiver condições de ajudar com doações, colabore.

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Escrito por Jonas Gonçalves

02/12/2008 em 01:09

Pacotes salvadores

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A China anunciou um pacote de US$ 586 bilhões para minimizar os efeitos da crise, o que deixa os mercados mais tranquilos. Há pouco tempo, tanto os EUA quanto a União Européia também divulgaram uma série de medidas para garantir a estabilidade do sistema financeiro.

Em termos gerais, os governos realizam uma grande intervenção, especialmente em bancos e seguradoras, os mais atingidos pelas perdas. Os que concederam crédito mesmo àqueles que apresentavam uma alta taxa de inadimplência, um investimento de altíssimo risco, não obtiveram o retorno esperado e amargaram prejuízos de milhões de dólares. Consequentemente, o mercado imobiliário (dependente contumaz da concessão de crédito) desabou nos EUA, já que a compra e venda de imóveis ficou paralisada. A reação em cadeia foi tão forte que fez muitas empresas apresentarem balanços negativos, o que levou a desvalorizações nas bolsas de valores. E, se os EUA vão mal, o planeta sente o impacto. As exportações para lá diminuem e, temendo uma recessão geral, as empresas de outros países cortam investimentos. Dessa forma, não há crescimento e as incertezas tomam conta.

A fim de reativar suas economias, os países chegam ao ponto de comprar ações de empresas em dificuldades, uma espécie de “estatização” da iniciativa privada. É uma “injeção de ânimo” para que o consumo volte e toda a cadeia da economia funcione novamente. Porém, como disse o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, “não será fácil sairmos do buraco”.

Talvez mais do que em qualquer outra época, nunca o mundo controlado pelo mercado esteve tanto nas mãos dos governos.

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Escrito por Jonas Gonçalves

10/11/2008 em 12:43

Breves considerações

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*Em visita ao 25º Salão do Automóvel de São Paulo, nesta quarta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não é necessário “entrar em uma crise psicológica” devido a atual crise econômica internacional.

>> É fato consumado que a crise afeta o mundo todo. Obviamente, o Brasil não é o epicentro do problema (são os EUA). Entretanto, o sinal de alerta é muito claro: quem gasta demais e depois não tem como pagar a conta, entra em crise profunda. Em geral, o brasileiro se deixa levar facilmente por uma onda de consumismo, como aconteceu diversas vezes. A título de exemplo, a euforia do Plano Cruzado, em 1986. Deu no que deu: hiperinflação e recessão. A economia precisa do consumo para se manter. Mas tudo que é demais faz mal. Os estadunidenses consumiram e compraram muito. Agora, pagam o preço. A dica para o mundo é: consumir sim, mas com responsabilidade.

*A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que cria o Fundo Soberano Brasileiro (FSB), que tem por objetivo auxiliar empresas em períodos difíceis da economia.

Foram cerca de 10 horas de votação. Os deputados de oposição querem fazer alterações, o que mantém o projeto em tramitação na Casa. Somente depois que todos os destaques forem aprovados será possível encaminhar o projeto para a avaliação do Senado. O FSB contaria com 0,5% do PIB (R$ 14,2 bilhões). O DEM e o PSDB criticam a iniciativa, alegando que o Brasil não teria condições de sustentar um fundo dessa natureza. De fato, seria muito arriscado manter uma poupança para emprestar dinheiro a empresas com crise de liquidez, que não conseguem obter mais crédito a fim de fazer exportações, por exemplo, no contexto atual de crise. O governo alega que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia realizar parte dos empréstimos. Nesse caso, o FSB seria algo redundante, pois o mais lógico seria repassar os recursos diretamente ao banco estatal, que tradicionalmente realiza empréstimos a empresas.

*Em um comercial de meia hora que já é considerado o mais caro da história dos EUA (US$ 6 milhões), o candidato democrata a presidência, Barack Obama, declarou que irá promover “a volta do sonho americano”.

>> A retórica do “american dream” é tudo o que os estadunidenses querem ouvir neste momento de turbulência e incertezas. Até algum tempo atrás, eles compravam casas com crédito muito fácil, iam às compras com voracidade e passavam o cartão de crédito sem se preocuparem com o amanhã. Quando este chegou, cobrou as despesas. Sem fundos, a população da maior potência global se vê em uma encruzilhada, ainda mais em um ano eleitoral. Obama aparece com a mensagem da esperança, enquanto McCain prega que teria mais experiência para lidar com a crise e devolver aos EUA o rumo perdido com o desastrado governo de seu companheiro republicano, George W. Bush. Todas as pesquisas indicam que Obama sairá vencedor do pleito de 4 de novembro. Mas McCain não entrega os pontos e ataca o oponente com virulência, acusando-o de quebrar a promessa de que só utilizaria o financiamento público para sua campanha.