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Barack Obama será o 44º presidente dos EUA
O candidato democrata Barack Obama foi declarado vitorioso por volta das 2h da manhã (horário de Brasília) pelas projeções das emissoras de TV norte-americanas, como a CNN. John McCain discursou em Phoenix, no Arizona, e reconheceu a vitória do adversário, ressaltando suas qualidades, especialmente o fato de ter conseguido emplacar o discurso de esperança ao povo americano. Desejou sorte e sucesso para a retomada de bons rumos do país.
Obama fez o discurso da vitória em Chicago, Illinois, no Grant Park, para um público estimado em cerca de 1 milhão de pessoas. Dedicou a vitória aos eleitores, elogiou toda a sua equipe de campanha e diz que é preciso se preparar para os enormes desafios que vêm pela frente.
O presidente eleito, primeiro negro a obter o feito na história do país, também falou sobre as expectativas para o futuro, visando mostrar que os EUA ainda estão vivos e lutarão para reverter os problemas decorrentes da atual crise financeira. Após o discurso, o vice-presidente eleito, o senador por Delaware Joe Biden, e as respectivas mulheres dos eleitos, Michelle Obama e Jill Biden, subiram ao palco para festejar o resultado.
Enquete e apuração
Na enquete promovida por Plano Político, Barack Obama teve 16 votos e John McCain 3, sinalizando o mesmo que diversas pesquisas de opinião já realizadas nos EUA e em outros países apontam: a vitória do democrata e o anseio por mudanças em relação ao governo de George W. Bush.
APURAÇÃO – Com a apuração dos votos, é possível analisar o panorama eleitoral americano. Confira os dados levantados (entre parênteses o número de delegados do estado no Colégio Eleitoral):
Barack Obama - vitórias nos estados de Washington (11), Oregon (7), Califórnia (55), Nevada (5), Colorado (9), Novo México (5), Minnesota (10), Iowa (7), Wisconsin (10), Michigan (17), Illinois (21), Indiana (11), Ohio (20), Pensilvânia (21), Virgínia (13), Distrito de Columbia (3), Maryland (10), Delaware (3), Nova Jersey (15), Nova York (31), Connecticut (7), Rhode Island (3), Massachusetts (12), Vermont (3), New Hampshire (4), Maine (4), Carolina do Norte (15), Flórida (27) e Havaí (4).
TOTAL: 364 delegados
John McCain - vitórias nos estados de Idaho (4), Montana (3), Wyoming (3), Utah (5), Arizona (10), Dakota do Norte (3), Dakota do Sul (3), Nebraska (5), Kansas (6), Oklahoma (7), Texas (34), Louisiana (9), Arkansas (6), Missouri (11), Mississipi (6), Tennessee (11), Kentucky (8), Virgínia Ocidental (5), Alabama (9), Geórgia (15), Carolina do Sul (8) e Alasca (3).
TOTAL: 174 delegados
É importante ressaltar que são necessários, no mínimo, 270 dos 538 votos possíveis no Colégio Eleitoral para que um candidato seja declarado vencedor.
Nas eleições para o Senado e a Câmara dos Representantes, os democratas tiveram ampla vitória, com o aumento de 6 cadeiras na bancada de senadores (chegou a 57) e na de representantes (indo a 255). Os republicanos tiveram queda nas duas casas do Legislativo: perderam 6 no Senado (caindo para 40) e 19 na Câmara (a bancada foi reduzida a 174 representantes).
Enquete – Eleições americanas
Voto antecipado
Com o objetivo de evitar intermináveis filas e confusões no dia da eleição (4 de novembro), 32 dos 50 estados americanos iniciaram antecipadamente o processo eleitoral. Nos EUA, cada unidade federativa tem autonomia suficiente até mesmo para escolher como será a cédula eleitoral de papel, ainda utilizada por lá. Urnas eletrônicas (diferentes das brasileiras) são usadas em alguns lugares, mas ainda existem dificuldades em termos de confiabilidade e segurança.
Reportagens vêm mostrando como é o processo eleitoral americano. Para quem está acostumado com a organização e eficiência do Brasil, os EUA são extremamente confusos. Em Ohio, por exemplo, a cédula eleitoral está mais para um grande questionário, com seis páginas, em que o eleitor precisa fazer outras escolhas, além do candidato a presidente. Os eleitores também deverão escolher os novos membros da Câmara dos Representantes – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – novos senadores (um terço do Senado poderá ser renovado) e 11 estados escolherão novos governadores. Engana-se quem pensa que Barack Obama e John McCain são os únicos postulantes ao cargo. Vários outros candidatos, com campanhas bem mais modestas e com pouquíssima exposição na mídia americana e de outros países, também estão concorrendo, a exemplo do independente (sem partido) Ralph Nader.
Estimativas apontam que 15 milhões de eleitores já votaram. Grandes filas se formam a todo instante nas zonas eleitorais e alguns acabam até desistindo depois de horas de espera. O voto nos EUA não é obrigatório, mas o nível de participação política sempre é intenso. Pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisas Pew nesta semana aponta que Barack Obama está na frente entre os que já votaram, com 52% dos votos, bem a frente de John McCain, que teria atingido a marca de 34%.
Por ser uma eleição indireta, nos EUA são escolhidos delegados que representarão a vontade do povo de cada estado no Colégio Eleitoral. Quando um candidato é escolhido pela maioria dos eleitores de um estado (por exemplo, Ohio), ele vence e terá os delegados, que votarão nele no Colégio Eleitoral. Cada estado tem um número determinado de delegados. A Califórnia (estado mais populoso, com 36 milhões de habitantes) tem 55 delegados. Ou seja, o candidato que obtiver a maioria dos votos populares californianos terá 55 votos favoráveis no Colégio Eleitoral. No total, são 538 delegados. Para se atingir a maioria, é preciso obter 270 votos.
Barack Obama wins

O senador por Illinois Barack Obama, pré-candidato à presidência dos EUA, venceu a disputa contra a senadora por Nova York Hillary Clinton pela candidatura do Partido Democrata. As últimas prévias foram disputadas nesta terça, com a vitória de Obama em Montana e de Hillary na Dakota do Sul. Após a realização de prévias em todos os estados (exceto Flórida e Michigan), Obama superou o número de 2.118 delegados e superdelegados determinado pelos democratas para conseguir a candidatura.

Por ainda não ter desistido oficialmente, Hillary se configura em um exemplo de resistência. Começou como favorita, mas foi perdendo terreno com a ascensão de Obama. E na medida em que outros pré-candidatos desistiam, havia uma tendência de apoio ao senador negro, que quebrou um paradigma racista histórico, ao conseguir forte projeção no cenário político estadunidense. A ex-primeira dama, esposa de Bill Clinton, iniciou um processo que tentava segurar a sua candidatura, mesmo com queda na arrecadação de fundos. Fazia seguidas declarações de que não desistiria e cumpriu a sua palavra. A disputa, considerada por alguns como danosa e desgastante para o partido, pode se tornar um meio de fortalecer as bases. Hillary e Obama vêm trocando muitos elogios e sinalizam uma composição na qual ela seria vice dele, visando a união dos democratas para derrotar o senador pelo Arizona e candidato da situação John McCain e encerrar a hegemonia do Partido Republicano, que já dura oito anos com George W. Bush.

A impopularidade do atual presidente, a deterioração e o descrédito da política externa americana em uma guerra sem fim e custosa contra o terrorismo, além de uma recessão econômica, são os grandes trunfos dos democratas. Resta a McCain se apoiar em um discurso de que possui mais experiência para enfrentar tanto a crise da economia como também dar a devida seqüência ao processo de ocupação no Iraque e a busca pela paz no Oriente Médio.
Além do choque político-partidário, o confronto entre Obama e McCain também é um conflito de gerações. As eleições de novembro terão o enfrentamento do primeiro, que tem 46 anos e se constitui na principal novidade da política americana desde Bill Clinton em 1992, com o segundo, de 71 anos de idade e uma história marcada como veterano da Guerra do Vietnã.
É a força do discurso da mudança (Obama e seu slogan “Change we can believe in”), que conquista principalmente os jovens e as grandes estrelas de Hollywood, que mantém a tendência de vitória do candidato democrata no pleito de novembro. Mas nunca se pode duvidar do conservadorismo da população dos EUA. O confronto já está a pleno vapor, com os dois indicados pelos partidos trocando críticas e farpas. Mas somente no segundo semestre é que a campanha começará para valer.
FOTO 1: Barack Obama conseguiu o apoio da maioria dos delegados e superdelegados do Partido Democrata e será oficializado como candidato a Presidência dos EUA em agosto (CRÉDITO: Divulgação)
FOTO 2: Hillary Clinton lutou até o fim, mas não conseguiu reverter a vantagem de Obama; agora a discussão é se ela será a vice na chapa democrata (CRÉDITO: Divulgação)
FOTO 3: John McCain, o candidato do Partido Republicano, terá Obama como adversário e já iniciou os ataques visando a campanha (CRÉDITO: Divulgação)








