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Barack Obama será o 44º presidente dos EUA
O candidato democrata Barack Obama foi declarado vitorioso por volta das 2h da manhã (horário de Brasília) pelas projeções das emissoras de TV norte-americanas, como a CNN. John McCain discursou em Phoenix, no Arizona, e reconheceu a vitória do adversário, ressaltando suas qualidades, especialmente o fato de ter conseguido emplacar o discurso de esperança ao povo americano. Desejou sorte e sucesso para a retomada de bons rumos do país.
Obama fez o discurso da vitória em Chicago, Illinois, no Grant Park, para um público estimado em cerca de 1 milhão de pessoas. Dedicou a vitória aos eleitores, elogiou toda a sua equipe de campanha e diz que é preciso se preparar para os enormes desafios que vêm pela frente.
O presidente eleito, primeiro negro a obter o feito na história do país, também falou sobre as expectativas para o futuro, visando mostrar que os EUA ainda estão vivos e lutarão para reverter os problemas decorrentes da atual crise financeira. Após o discurso, o vice-presidente eleito, o senador por Delaware Joe Biden, e as respectivas mulheres dos eleitos, Michelle Obama e Jill Biden, subiram ao palco para festejar o resultado.
Segundo turno
Nas 30 cidades brasileiras em que foi necessário haver segundo turno, poucos fatos realmente chegaram a surpreender. A grande emoção ficou por conta do Rio de Janeiro, que teve uma disputa acirrada entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV). Paes foi o vencedor, mas por uma margem muito pequena (50,83% ante 49,17%). No início da apuração, Gabeira chegou a aparecer na frente, mas na maior parte, o candidato do PMDB se manteve na dianteira, ainda que sem abrir grande vantagem. Prevaleceu a força do partido no Rio, que já tem o governador, Sérgio Cabral. Resta ao deputado federal do Partido Verde a glória de ter iniciado a disputa como “zebra” e ter acabado como um político que sai fortalecido da disputa e credenciado para um próximo pleito.
Em São Paulo, Gilberto Kassab confirmou a enorme dianteira apontada pelas pesquisas de opinião, vencendo Marta Suplicy (PT) com facilidade (60,72% a 39,28%). A derrota do PT na capital paulista sinaliza que o governador José Serra (PSDB) está mais forte do que nunca em seu principal reduto. Porém, ainda é muito prematuro afirmar que o tucano será eleito presidente em 2010, como alguns jornalistas e outros especialistas da área da Política se apressam em garantir. Obviamente, Serra é, na atual conjuntura, o candidato mais forte, ainda mais levando-se em consideração o panorama depois das eleições municipais. Mas, ainda faltam dois anos. Vale lembrar que Serra terá que vencer a disputa interna em seu próprio partido pela candidatura, salvo uma grande articulação que envolva o seu provável adversário, o governador Aécio Neves, de Minas Gerais.
Aécio, assim como Serra, também elegeu o seu candidato nestas eleições. Na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) derrotou Leonardo Quintão (PMDB) por 59,12% a 40,88%. Do duelo mineiro, duas curiosidades: a primeira é que Lacerda foi apoiado tanto pelo PT do atual prefeito Fernando Pimentel quanto pelo PSDB de Aécio, em uma composição polêmica, inusitada e ousada, que poderá sinalizar novos rumos para a política brasileira; a segunda é o fato de que o candidato do PMDB venceu o primeiro turno, vencendo o favorito Lacerda, que só conseguiu confirmar tal condição depois de virar o jogo no segundo turno.
É praticamente impossível que PT e PSDB se unam em 2010. Os dois são ferrenhos adversários no plano nacional, possuem divergências históricas e mantêm uma disputa pelo poder desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente pela primeira vez. Suas duas vitórias sobre Luiz Inácio Lula da Silva fizeram os dois partidos se colocarem em campos opostos: o PSDB foi tachado de “direita” ao se aliar com o então PFL (atual DEM), enquanto o PT liderou a “esquerda” (algo que hoje é impensável, visto que entre os partidos de esquerda como PSOL e PSTU, o PT foi para a “direita” depois que assumiu o poder). As disputas continuaram em 2002 e 2006, com as duas vitórias de Lula sobre Serra e Geraldo Alckmin, respectivamente.
Pelo campo dito “de direita”, a tendência é que o PSDB e o DEM se unam de forma definitiva a partir da eleição de Kassab em São Paulo. O PT, que é a atual situação no poder, sofre com o fato de não ter uma candidatura com chances reais (ao menos até agora). Se for seguir uma lógica pragmática, dará lugar na cabeça de chapa a Ciro Gomes (PSB), que é o único com chances reais de enfrentar Serra. Seja qual for a disputa, o fiel da balança será o PMDB. O partido, que é o maior do Brasil em número de militantes e de prefeitos eleitos no País, tem força política também nas duas casas do Poder Legislativo nacional (ocupa a presidência do Senado e deverá conquistar a da Câmara). Se optar por Serra em 2010 (como o diretório paulista quer, pois já apoiou Kassab), tornará a oposição ainda mais forte. Agora, se pender para a situação (seguindo a praxe de seu fisiologismo desde a redemocratização), equilibra as forças e torna o jogo sucessório acirrado.
Ainda há muito mais para ser analisado nos próximos dois anos. O mais importante é ter a consciência de que a política não pára.
Virada à paulistana
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), protagoniza uma grande virada no pleito de 2008. De terceiro lugar nas pesquisas, em situação complicada, tornou-se um cometa ascendente, daqueles que só são possíveis em uma disputa com milhões de eleitores. A capital paulista tem 8.198.301 votantes, sendo que 2.140.423 (33,61%) votaram em Kassab no primeiro turno, superando a antes favorita Marta (PT), que obteve 2.088.329 (32,79%). No segundo turno, o prefeito deverá vencer, salvo algum fato extraordinário que favoreça a petista.
O responsável pela ascensão meteórica de Kassab, que completa o mandato do eleito em 2004, José Serra (PSDB), hoje governador do Estado, é justamente o partido tucano. A força do PSDB em São Paulo é inegável. Isso se reflete no âmbito estadual (Mário Covas em 1994 e 1998, Geraldo Alckmin em 2002 e José Serra em 2006 mantiveram a hegemonia social democrata). Entretanto, até 2004, a legenda nunca havia eleito o prefeito da capital, a sua principal base. Foi quando Serra, que havia sido derrotado em 1996 (nem chegou ao segundo turno) conseguiu quebrar o tabu, vencendo logo no primeiro turno. Marta tentava a reeleição.
São Paulo é pródiga em grandes viradas. Em 1988, Paulo Maluf (PP) foi derrotado na reta final do segundo turno por Luiza Erundina (então no PT, hoje no PSB), um surpreendente ”cometa” eleitoral.
Em 1992, Maluf conseguiu ser eleito, derrotando o petista Eduardo Suplicy. Para completar, fez o sucessor, Celso Pitta, em 1996. Foram duas eleições em que o malufismo conseguiu evitar que a escrita da virada se tornasse hegemônica.
Mas ela voltou em 2000. O então favorito Maluf levou a virada de Marta. E esta, por sua vez, foi derrubada por Serra em 2004. Se não reagir, a petista caminhará para mais uma derrota, agora para Kassab. Se isso se confirmar, será a segunda perda durante o período em que o PT deveria ter o melhor desempenho: o cada vez mais popular governo Lula.
ASCENSÃO KASSABISTA – Com Serra indo para o governo estadual em 2007, sobrou para o vice Kassab dar continuidade a administração.
Serra certamente sabia que, em 2008, o PSDB e o DEM poderiam se confrontar na disputa pelo encabeçamento da chapa de sucessão que daria continuidade a aliança. Com a Lei Cidade Limpa e outras medidas, Kassab chamou a atenção e ganhou as manchetes, ponto de partida para qualquer candidato que tem aspirações ambiciosas. Daí se credenciou. Mais ainda quando manteve o secretariado de Serra (predominamente tucano), o que amarrou parte do PSDB a ele. Quando a outra ala do partido quis lançar Alckmin, encontrou resistência do bloco “kassabista”. Daí o racha que favoreceu Kassab e deixou Alckmin, antes favorito, em uma situação de prejuízo político-eleitoral.
Serra se preparou para a saia-justa, já que certamente sabia da intenção do partido em lançar Alckmin, que foi derrotado nas eleições presidenciais em 2006 (vale lembrar que Alckmin e Serra disputaram a indicação do partido para disputar a Presidência, com a vitória do primeiro). O ex-governador, aliás, nunca escondeu que gostaria de ser o prefeito de São Paulo. Em 2000, na época ainda como vice de Mário Covas, se lançou candidato. Na época, o então governador chegou a prever: “o Geraldinho vai perder por minha causa”. Não deu outra. Ele ficou em terceiro, assim como em 2008. Covas fez tal previsão já que, na ocasião, não tinha uma popularidade que pudesse transmitir a Alckmin para ajudá-lo.
O racha entre PSDB e DEM se tornou cada vez mais evidente na medida em que a hora decisiva se aproximava. Serra tentou evitar prejuízos com a briga entre Alckmin e Kassab. Afinal, o atual governador quer ser eleito presidente em 2010. Quando se candidatou em 2002, não foi apoiado pelo então PFL (atual DEM), que preferiu Ciro Gomes (então no PPS, hoje no PSB). Serra tem consciência de que precisa tanto do DEM quanto do PMDB. Com os três unidos, seria praticamente impossível para o PT, o quarto integrante do grupo dos maiores partidos do Brasil, vencer a eleição, ainda mais sem Lula no páreo.
Com o apaziguamento do clima após o primeiro turno, o PSDB oficializou o apoio integral ao atual prefeito, o que facilita as coisas para Serra. Alckmin volta ao exercício da medicina (momentaneamente). Enquanto isso, o governador continua com suas articulações visando Brasília.
Barbieri fala sobre campanha e união de partidos
Em dois podcasts extras (os últimos da série especial das Eleições 2008), resumo o que obtive em duas entrevistas concedidas pelo prefeito eleito Marcelo Barbieri (PMDB). A primeira foi na noite de domingo (5), em seu comitê, na comemoração da vitória nas urnas (recebeu 50.813 votos – 44,6%). Já a segunda ocorreu nesta terça-feira (7), na redação da Folha da Cidade. Nela, Barbieri fala sobre a iniciativa de articular um amplo entendimento, que incluiria todos os 13 vereadores eleitos. A Coligação Azul, que o apoiou, obteve cinco cadeiras: Elias Chediek Neto, Aluísio Braz (Boi Cabeleireiro) e Serginho (todos do PMDB), além de Ronaldo Napeloso (DEM) e João Farias (PRB).
PODCAST Nº 5 – VITÓRIA
PODCAST Nº 6 – ARTICULAÇÃO
Considerações finais
A exemplo do que acontece no último bloco de debates na TV, farei minhas considerações finais sobre o trabalho desenvolvido aqui e sobre o processo eleitoral em Araraquara.
Desde o início, as intenções expressas deste blog foram mostrar, como um serviço de utilidade pública, todas as candidaturas a prefeito e tudo aquilo que pudesse ajudar os eleitores a entender as regras das eleições.
Este blog jamais trabalhou por qualquer candidatura. Nunca foi vendido. Nunca fraquejou. E em nenhum momento me venderei como jornalista. Sempre me pautei pela ética, pelo compromisso com meus leitores e pela boa vontade em ajudar as pessoas na busca pela informação a respeito de política, um tema complexo, fascinante e extremamente importante para toda a sociedade.
Você, eleitor, que apoiou algum candidato que tenha sido derrotado, peço encarecidamente que nunca acuse este blog de ter sido partidário ou parcial. Isso jamais aconteceu. Não se deixe levar por sentimentos negativos como o rancor. Tive problemas aqui com algumas pessoas que, exaltadas, me atacaram. Tomei as providências necessárias, para que não pensem que aqui seria um espaço de desordem. Entretanto, apesar das minhas reações, neste momento, após toda a adrenalina do processo, estou tranqüilo. Não guardo nenhum tipo de rancor ou mágoa com relação a quem quer que seja.
Só gostaria de deixar bem claro: estou muito feliz e realizado. A visitação deste blog superou todas as minhas expectativas mais otimistas. Quando comecei a fazer esta cobertura especial, o site acumulava pouco mais de 6 mil visitas. Agora, já passou de 34 mil. Esse crescimento e a credibilidade que conquistei jamais vou deixar de defender. Para aqueles que não me conhecem, talvez seja difícil imaginar que alguém envolvido com a cobertura da política não se deixe levar por preferências pessoais ou eventuais vantagens que alguém possa oferecer. Pois eu sou assim: só quero fazer o meu trabalho como jornalista, dando espaço a todos para que, de forma limpa e democrática, possam expor suas idéias.
Porém, estabeleci regras muito claras: nada de ataques despropositados e ofensas pessoais. Jamais permitirei isso aqui.
Nesse período, aprendi muitas coisas e saio muito fortalecido. Aprendi que todos os jornalistas envolvidos com a cobertura, nos diferentes órgãos de comunicação, procuraram se pautar pela verdade factual. Os ataques feitos por alguns, que tentaram acusar os meios de parcialidade, foram infundados. Não detectei nenhum tipo de partidarismo. Todos deram a sua contribuição, promovendo entrevistas, debates e análises do cenário político.
Agora, neste momento, o que podemos desejar ao prefeito eleito Marcelo Barbieri e aos 13 escolhidos para ocupar a Câmara Municipal (Chediek, Boi, Serginho, Napeloso, João Farias, Márcia Lia, Carlos Nascimento, Édio Lopes, Paulo Maranata, Dr. Lapena, Porsani, Juliana Damus e Tenente Santana) é que cumpram suas obrigações para com o povo de Araraquara. Que se empenhem para que todo esse esforço, tanto da sociedade quanto do jornalismo, ao se proporem a ouvir seus objetivos nos cargos, tenha valido a pena. Também é necessário desejar sorte e muito sucesso, para que o poder público municipal seja aprovado pela população.
O formato atual do site termina hoje. Ele será remodelado e totalmente voltado para o jornalismo político em todas as esferas. Quero agradecer de coração a todas as visitas, aos comentários e que este sucesso perdure e aumente cada vez mais. O jornalista trabalha para a sociedade. E o que mais prezo é a confiança depositada no meu trabalho.
Devemos cuidar para que Araraquara, a Morada do Sol, também seja a Morada da Democracia.
Muito obrigado. Forte abraço a todos e a todas.






